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7 de outubro de 2012

Curta "Saco Plástico" (2009)

Por: Airton Rener

Responsáveis por uma infinidade de externalidades negativas, as sacolas plásticas, criadas por Alexander Parkes em 62 , mas somente introduzidas em massa nos anos 70, representam um novo padrão de vida que iria se concretizar com a moderna sanha consumista. É nesse contexto que se insere "Plastic Bag", curta dirigido pelo estadunidense Ramin Bahrani, conhecido pelo aclamado e bem premiado filme independente "Man Push Cart"(2005).


Nesse curta Ramim Bahrani põe vida e sentimentalismo na protagonista sacola plástica por meio da figura de estilo denominada de personificação. É com isso e com uma fotografia impecável aliada a planos bem enquadrados que se sustenta um roteiro simples baseado desde o "nascimento" da sacola plástica até o destino final, o"Vórtex", nome dado para a concentração gritante de lixo não biodegradáveis no Oceano Pacífico.

A sensação do curta está associada ao seu valor poético graças a narração do cineasta Wener Herzog,   popularmente conhecido pelo seus documentários "O Homem Urso" (2005) e Encontros no Fim do Mundo (2007). Como também pelo seu caráter filosófico quando este se trata da superficialidade humana em  relação ao seu subproduto de "insignificante importância". Tal insignificância que se multiplica em números exorbitantes os quais refletem para a paradoxal racionalidade do homem e seu sistema falho, desarmônico com a natureza. Segue abaixo o curta de aproximadamente 18min.



Sinopse: Curta que mostra de forma simbólica a longa jornada de um saco plástico (narrado por Werner Herzog) em busca de seu criador perdido até o seu 'término de vida', com o desejo de retorno transmitido pela canção: “I wish you had created me so that I could die” – Eu queria que você tivesse me criado para que eu pudesse morrer. Direção: Ramin Bahrani. Áudio: Inglês Legendas: Português Duração: 18 min.

Direto do "Salamandras Radioativas"

4 de maio de 2012

Trailer - O MEMBRO DECÁIDO





O MEMBRO DECAÍDO, um filme de Lucas Sá

Elenco: Gabriel Sá, Laura Sá, Verbena Sá,
Guilherme Borges, João Marcus,
Gabriel Magalhães e Seu Mingau
Direção e Roteiro: Lucas Sá
Produção: Rayssa Ewerton e Lucas Sa
Fotografia: Airton Rener e Lucas Sa
Montagem e Edição de Som: Lucas Mendonça


Curta a página do curta no Facebook:
http://www.facebook.com/membrodecaido


29 de fevereiro de 2012

MAKING OF - O Membro Decaído, um curta de Lucas Sá


Laura Sá se maquiando para close nos olhos / Teste de ângulo com Isabela Noleto

Agora teste com Laura Sá / Gabriel Coelho ensaiando movimentos

Bartira Sá (Minha mãe!!!) limpando o chão de sangue / Rayssa Baldez com brinquedo de produção

Gabriel Coelho e o dedo da repetição / Laura Sá, Airton Rener e Gabriel Magalhães

Airton Rener com Refrigerante Jesus na boca (e baba) para um plano em close

15 de fevereiro de 2012

Iniciam as filmagens do curta O MEMBRO DECAÍDO


O projeto O Membro Decaído surgiu nas aulas de roteiro ministradas pela professora Cintia Langie, no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).  

Essa história já permeia em mim há algum tempo, quando meu tio de Salvador, me contou a um ano atrás  sobre um caso de extrema violência urbana. Eu anotei essa história bizarra e a partir daí comecei a criar a minha versão do ocorrido, colocando fatos que me interessavam tanto esteticamente quanto narrativamente, além de ser uma invenção do que poderia ter ocorrido pela mente de outro autor. Não sei se esse fato ocorreu realmente ou se foi só mais uma das mentiras que espalham por ai, mas está “mentira” me interessou muito.   

O roteiro é denso e se estende mais na imagem do que nas palavras, buscando ser explicado por auxilio apenas da imagem, independente do texto ou dos diálogos, sendo guiados, sobretudo, pelas ações. O personagem protagonista é sempre o centro dessas ações, mas ao mesmo tempo ele é o mais distante do meio que o cerca e que o encaminha para ocasiões indesejáveis.   

 O clima das cenas busca uma áurea de tensão e naturalidade tanto dos atores quanto do comportamento da câmera. Esta se mantém como uma observadora das ações, ela não interfere no espaço cênico, só nos encaminha à medida que o personagem central, o homem, se move. Os quadros na maioria das vezes são fixos e nos remetem a uma fotografia de enclausuramento do homem em relação ao espaço urbano, utilizando uma coloração fria contrastada com o laranja e o vermelho, que intensificam a violência gráfica e o clima de fim de tarde.   
A equipe do curta é dividida entre amigos e familiares que já trabalharam comigo em outras produções, como os atores e primos Gabriel Coelho (You Bitch Die!!!), Verbena Sá (Verbena e Limão / You Bitch Die!!!) e Laura Sá, a musa Natasha Sharon de You Bitch Die!!! Já a equipe técnica é formada por Rayssa Baldez, que atuou e produziu o curta-metragem ABATE, Airton Rener (editor do Lucas'Ville) , Gabriel Magalhães, Lucas Kurz (dirigiu e escreveu comigo o Verbena e Limão) e Lucas Mendonça Fernandes, este último é responsável pela montagem e efeitos visuais, grande Mendonça!  

 Já gravamos quase metade das cenas. A montagem e finalização do curta estão previstos para a primeira quinzena de março, pegando o embalo para as inscrições nos festivais.




21 de dezembro de 2011

Crítica de ABATE e YOU BITCH DIE!!! por Cid Nader no III Festival de Cinema da Fronteira


Dia 17 ocorreu o último dia do III Festival de Cinema da Fronteira. O grande vencedor do prêmio de Melhor Filme foi o curta-metragem de animação O Céu no Andar de Baixo, do diretor Leonardo Cata-Preta. O filme é um retrato esquizofrênico e sentimental sobre um ângulo diferente do amor, merecido prêmio. E é nesse contexto que percebo como o cinema de animação vem se fixando na produção nacional, que tinha um espaço limitado em mostra e festivais por uma divisão fixa entre ficção e animação. Curioso saber que além de O Céu no Andar de Baixo outra animação tenha ganhado, no mesmo ano, o prêmio de Melhor Curta em um dos mais prestigiados festivais nacionais, Gramado. Falo de Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, curta do diretor gaúcho Rodrigo John, que também esteve na mostra competitiva, além de premiado por sua trilha sonora, no III Festival de Cinema da Fronteira, em Bagé. (Lista dos curtas premiado aqui). 

Durante o festival foram homenageados o crítico Jean-Claude Bernardet e a musa do cinema marginal Helena Ignez. Dentre os convidados, a atriz Ingra Liberato, que apresentou o festival ao lado de Leonardo Machado. Além de Aurora Miranda Leão, a curadora da mostra competitiva de curtas, e o crítico Cid Nader, que acompanhou e escreveu sobre todos os curtas-metragens do festival em seu site Cinequanon. 

E são essas críticas que posto a baixo, sobre dois dos meus curtas na mostra competitiva: ABATE e YOU BITCH DIE!!!

ABATE, de Lucas Sá. Brasil (MA), 14 min.
Por: Cid Nader

Uma novidade vinda do Maranhão (talvez indicando mais um polo difusor lá no nosso Nordeste), esse Abate bebe nitidamente da fonte dos filmes pernambucanos para contar uma história de revolta feminina por opressão machista: algo tão comum ainda no mundo, mas que toca muito mais profundamente em uma região de tradição absolutamente masculina.  

Só que beber da fonte, somente, poderia resultar em cópia de estilo, vazio no mote e no modo. Negativo. Lucas Sá demonstra ter noção bastante complexa e bem elaborada de estética e técnica. O filme é de fotografia não conformada, que busca o inusitado nos ângulos (enquanto o momento “comum” subserviente da mulher existe, filma-se seus pés a caminho do açougue, para a inversão do ângulo quando uma outra possibilidade de continuidade de vida é pensada, por exemplo), e também bastante atenta às possibilidades de contrastes emprestadas pelo bom uso da iluminação.  

No corte, na edição (e novamente lembrando alguns outros filmes de Pernambuco), o contar a história ultrapassa a “simples” barreira da fluidez, para que interferências intrometidas até na marra se façam responsáveis pelo adensamento do clima. Desde o início, a montagem não permite a acomodação do espectador, e a tela se enche de variações cromáticas ou de ritmo. Portanto, as invenções e tentativas que resultaram um curta bem interessante não são resultado – o que seria até razoável de se imaginar - de acumulação crescente, mas de ritmo imposto desde os primeiros instantes: algo bem mais difícil de ser mantido e obtido. (Veja o curta aqui).


YOU BITCH DIE!!! , de Lucas Sá. Brasil (MA), 03 min.
Por: Cid Nader

Brincadeirinha de Lucas Sá – o diretor talvez seja uma novidade maranhense surgindo para ser a vanguarda de mais uma cinematografia regional surgindo, e revelando-se com evidente característica urbana, ao compilar informações que extrapolam as distâncias de seu Estado -, filmada mais para ser vista na Internet do que numa telona. O tratamento é em cima da linguagem, dos filmes trash dos anos 70, com os típicos exageros necessários para tal reverência (falta de cuidado, hiper-cores, hiper-cafonices, seres estranhos habitando a tela e sangue, de preferência), e feito de modo bastante ligeiro, para que não se necessitasse muito espaço e tempo demais demandado para a conclusão. 

Para tal ligeireza vista na telona, a ideia de representar um trailler revelou-se boa sacada. Mas, muitos trabalhos similares já foram vistos (aliás, há até uma certa moda no estilo se repetindo), e muitos, também, com melhor desempenho numa sala escura de cinema: o que faz notar o quanto esse deve ter sido pensado mais como uma ação para divertir amigos, nas madrugadas diante da telinha do computador. (Veja o curta aqui).

29 de novembro de 2011

III Festival Fronteira de Cinema


Bela arte conceitual do III Festival Fronteira de Cinema

A organização do III Festival Cinema da Fronteira acaba de divulgar a relação de curtas brasileiros selecionados para a edição que começa no próximo dia 10 em Bagé, prosseguindo até dia 17. E com grande felicidade que informo que dois de meus curtas, ABATE e YOU BITCH DIE!!!, foram selecionados para a mostra competitiva do festival. Ambos foram realizados de forma independente, assim como o meu novo projeto ainda em fase de pré-produção: O MEMBRO DECAÍDO. Curta que pretendo filmar no início de 2012.

A curadoria do Festival é assinada pela jornalista e realizadora Aurora Miranda Leão, contando com a colaboração de uma comissão artística formada por Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Carmerine, Vera Medeiros e Zeca Brito, artistas de Bagé. No júri de seleção da mostra competitiva Binacional, os realizadores gaúchos Boca Migotto, Frederico Ruas, Mariana Xavier e Virgínia Simone. Ao todo, foram inscritos mais de 120 filmes.   
ABATE, de Lucas Sá
O Festival é uma Realização da Prefeitura Municipal de Bagé (RS), através da Secretaria de Cultura, o festival terá duas mostras competitivas – Bagé 200 anos e Mostra Binacional – e três mostras não competitivas – Yaya Vernieri, Festin Bagé – Mostra da Lusofonia, e Mostra de Longas-Metragens.

Os homenageados desta edição são o ensaísta, pesquisador e crítico Jean-Claude Bernadet, e a atriz e diretora Helena Ignêz, a grande musa do Cinema Marginal. Falando em Cinema Marginal, ocorrerá na programação a exibição do clássico deste movimento, o aclamado filme de Rogério Sganzerla, O BANDIDO DA LUZ VERMELHA.

Além das mostras, o festival apresenta uma programação paralela envolvendo shows, performance do grupo Falos e Stercus, apresentações ao ar livre, gastronomia e ações sócio-ambientais, estas  um dos carros-chefe do evento. Para a abertura, o tenor Flávio Leite irá cantar, ao lado do Coral Auxiliadora, a belíssima Missa Crioula de Ariel Ramirez, conduzida pelo bispo Dom Gilio Felicio.

Dentre os selecionados estão o curta Marcovaldo, de Cíntia Langie e Rafael Andreazz, que retrata a vida de um catador de lixo na noite pelotense. Além dos excelentes: O Cão (Abel Roland e Emiliano Cunha), Mato Alto - Pedra Por Pedra (Arthur Leite), Apenas Um (Leo Tabosa), e as animações O Céu no Andar de Baixo (Leonardo Cata Preta) e Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo (Rodrigo John). Este último ganhou o prêmio de melhor curta-metragem de ficção no 39º Festival de Cinema de Gramado.

Lista completa dos curtas selecionados:

- QUANDO A CASA CRESCE E CRIA LIMO, de Amanda Copstein e Filipe Matzembacher
- CÉU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, de Rodrigo Joh
Mato Alto
- CÉU NO ANDAR DE BAIXO, de Leonardo Cata Preta
- ABATE, de Lucas Sá
- MANTEGNA, de Meloo Viana
- CORNETEIRO NÃO SE MATA, de Pablo Muller 
-O SILÊNCIO DO TEMPO, de Andre Cohim 
- DOCE DE COCO, de Allan Deberton
- A FÁBULA DA CORRUPÇÃO, de Lisandro Santos
- BRECHA, de Júlia Araújo e Nathália D’Emery
- APENAS UM, de Leo Tabosa
O Cão
- UM CONTO à DERIVA, de Germano Oliveira 
- PRONTA ENTREGA, de André Miguéis
- TRAVESSIA, de Kennel Rógis
- POLIAMOR, de José Agripino
- MATO ALTO - PEDRA POR PEDRA, de Arthur Leite 
- AS FOLHAS, de Deleon Souto
- O CÃO, de Abel Roland e Emiliano Cunha 
- KINOPOÉTICAS KATARI KAMINA, de Pedro Dantas 
- SETE VOLTAS, de Rogério Nunes
Marcolvaldo
- TRAJETO, de Leonardo Wittmann  
- O OGRO, de Márcio Júnior e Márcia Deretti 
- O BRASIL DE PEDRO VAZ DE CAMINHA, de Bruno Laet
- MARCOVALDO, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza 
- YOU BITCH DIE !!!, de Lucas Sá
- BILIU - O MAIOR CARREGO DO BRASIL, de Lau Barboza
- ANTONINHA, de Laércio Ferreira
- A INVASÃO DO ALEGRETE, de Diego Müller
- UMA, de Alexandre Barcellor
- ASFIXIA, de Fábio Aguiar

16 de novembro de 2011

Cannibal Holocaust + CSS

Por: Lucas Sá

Lançado a cinco dia atrás o novo clipe da banda brasileira Electro-pop-cool-hipster-minha roupa é minha vida, Cansei de Ser sexy, me trouxe uma alegre surpresa. O vídeo da música City Grrrl do também novo álbum da banda, intitulado de La Liberación, traz em sua abertura uma trilha instrumental de um dos filmes mais emblemáticos do cinema italiano.

No primeiro minuto do vídeo a vocalista Lovefoxxx sai de um ônibus com o letreiro: New York. É ai que a trilha composta por Riz Ortolani, tema do filme Cannibal Holocaust, começa a tocar. No longa essa trilha é que entrega certos tons melancólicos ao filme, confesso que quase choro vendo as cenas de horror canibalescas acompanhada por essa música. Riz Ortolani já realizou a composição musical de mais de 200 filmes, trabalhando com o mestre da pornografia italiana, Tinto Brass. Suas trilhas também foram utilizadas nos filme Kill Bill e Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, grande fã das obras do país (quem não é?).

City Grrrl narra a trajetória de uma garota do interior que almeja/deseja ir para a cidade grande, no caso, Nova York. O clipe é o segundo do novo álbum e é um misto de referências visuais e fílmicas, como a já cansada e óbvia cena de Pulp Fiction, onde Uma Thurman faz um quadrado com seus dedos, formando na tela o desenho do seu movimento. O clipe também se mantém em sintonia, pelo figurino e locações do subúrbio nova-iorquino, com o filme Procura-se Susan Desesperadamente, protagonizado por Madonna quase antes de estourar com Like a Virgin.

La Liberación é o terceiro álbum da banda que ficou sumida durante alguns anos. Este novo projeto retoma o espírito sarcástico e infantil das músicas de seu primeiro disco, que alegrou a fãs que não se acostumaram e desaprovaram o tom mais maduro do segundo disco, intitulado de Donkey. Em La Liberación as batidas eletrônicas são mais agudas e irritantes, tudo isso com um toque mexicano e latino americano, como pode se perceber na introdução de City Grrrl, a melhor e mais boba música do álbum.




Falando em Cannibal Holocaust...

Esse mês irá ocorrer entre os dias 22 de novembro e 4 de dezembro o 6º Cinefantasy, festival paulista dedicado ao cinema de horror e fantástico. Dentre os longas e curtas ocorrerá a mostra Deodato Day, que irá exibir 3 longas do diretor italiano Ruggero Deodato, dentre eles, claro, não poderia faltar Cannibal Holocaust. Os outros dois são filmes raros de Deodato, como: O Último Mundo Dos Canibais e House On The Edge Of The Park.

Além dos longas nacionais (destaque para A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão) e internacionais, o festival irá exibir inúmeros curtas de realizadores independentes, como: ESTRANHA, de Joel Caetano
A VIDA DA MORTE, de Maciel Edinei Fischer
A NOITE DE SAMEDI, de Pedro Gandolla
CÉU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, de Rodrigo John
MORTE E MORTE DE JOHNNY ZOMBIE, de Gabriel Carneiro
O OGRO, de Márcio Júnior e Márcia Deretti
VELHOR MUNDO, de Armando Fonseca

O 6º Cinefantasy terão suas atividades no Cinesesc, na Cinemateca Brasileira, no Centro Cultural São Paulo e na Biblioteca Viriato Corrêa, todos em São Paulo, com sessões das 16h às 23h59.
Site: http://www.cinefantasy.com.br/

6 de agosto de 2011

Pôster do meu novo curta SANTA NAS COXAS

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Por: Lucas Sá

Esse é o pôster do meu curta SANTA NAS COXAS, que realizei exclusivamente para o festival CeluCine (http://www.celucine.com.br/2011/), especializado em curtas feitos por mídias móveis e com no máximo três minutos de duração. Todos os anos o festival escolhe temas para os vídeos se embasarem. A edição de 2011 vai ser dividida em quatro etapas com temas variados, o primeiro é "Ditados Populares". Para o curta escolhi o ditado "Quem canta seus males espanta”, em um envolvimento de religião, sexo e música. Os resultados dos melhores curtas dessa primeira etapa vão ser divulgados dia 12 de Agosto, no penúltimo dia do Festival de Gramado. O curta vai está nas redes apartir da data de divulgação dos selecionados da primeira etapa.

SANTA NAS COXAS com VIRGÍNIA FERREIRA
Em parceria com A VAPOR Estúdio.


Direção: Lucas Sá
Roteiro Original: Lucas Sá
Produção: Lucas Sá, Luciano Mello, Patrick Tedesco e Pablo Herzberg
Dir de Fotografia e Arte: Patrick Tedesco
Trilha Original: Luciano Mello
Continuísta: Pablo Herzberg
Montagem: Lucas Sá
Pelotas - RS

2011

18 de julho de 2011

Atividade Paranormal Aracaju: Entrevista com Marlon Delano





Por: Lucas Sá


É a vez de o Brasil ter sua versão do filme de sucesso Atividade Paranormal! Com poucos recursos e em apenas uma noite, o diretor Marlon Delano, realizou um curta no mesmo estilo documental dos filmes desse novo estilo cinematográfico, que para mim, já está se tornando um gênero enraizado. Com 14 minutos de duração e a câmera-personagem, Atividade Paranormal Aracaju consegue manter-se tenso a todo o momento, atribuo isso, sobretudo, a atuação de Samara Peixoto, que me fez sentir com clareza o tormento sobrenatural que persegue sua personagem. Até em certos momentos cômicos, protagonizados pela própria Samara, o curta não se deixa levar a essa linha tênue que é o terror perante a comédia. Atividade Paranormal Aracaju foi realizado para o concurso cultural da distribuidora nacional Playarte, do filme tributo do original, que se passa em Tóquio, ao qual Marlon Delano foi o vencedor, faturando 5 mil reais e reconhecimento nacional, já que seu curta está sendo comentado em inúmeros canais midiáticos. Abaixo, realizamos uma entrevista exclusiva, por email, com o próprio realizador do curta, Marlon Delano, jovem que está no 6º período do curso de graduação em Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

LV: Qual foi o custo e período de produção do curta?
Delano: Quando eu soube do concurso faltavam apenas 4 dias para o fim das inscrições que era por link no videolog, então foi tudo bolado nas pressas. Tive a idéia ter dois irmãos, já que na época Samara estava morando comigo temporariamente, o engraçado é que depois eu soube que o Atividade Paranormal Tóquio também eram sobre dois irmãos. Gravamos em uma única noite, na noite seguinte só refizemos umas 2 cenas tudo muito rápido e corrido, o custo da produção foi de R$1,50, do litro de álcool que comprei na vendinha perto de casa para a cena do fogo. Depois corri pra editar e postei o vídeo no último dia, acho que no total foram dois dias de produção.

LV: Em Atividade Paranormal Aracaju, vemos uma forte tendência ao gênero horror e ao novo estilo pseudo-documentário, como os filme REC, O Caçador de Trolls e Cannibal Holocaust. Além desses gêneros, quais diretores e filmes você é influenciado em suas obras em geral?
Delano: Então, o curta foi no estilo documental para seguir a linha do filme original e foi uma experiência legal, pois há algum tempo eu já tinha a idéia de fazer algo assim, então foi um empurrão, o chato é que tive que atuar, foi péssimo, não nasci para ser ator (rs). Eu nunca fui muito de me influenciar por outros diretores, não por querer ser original, nem nada disso, mas é algo que nunca parei para pensar, tipo seguir o estilo de “alguém”. Eu adoro filmes de drama e também de filmes pesados e densos, que te deixam pra baixo embora nenhum de meus curtas tenha sido ainda nesse estilo, gosto muito do trabalho do Esmir Filho, ele faz filmes sobre adolescentes de uma forma que faz agente realmente se lembrar de como eram as épocas de escola e dos 15 anos, gosto muito do trabalho dos caras do Trincheira Filmes de Recife, ao qual já tive a oportunidade de conhecê-los pessoalmente, mas resumindo, não sigo nenhuma linha, apenas faço o que vem na mente.

LV: Em seu canal no youtube, pode ser visualizado o teaser de alguns curtas, como o “Pupas”. Sobre o que é essa produção e o que você pretende fazer depois do sucesso de Atividade Paranormal Aracaju?
Delano: Tenho também o canal www.youtube.com/lastimus que tem uns trabalhos mais antigos e mais vídeos como os meus de desenhos e manipulações no Photoshop. O Pupas é um roteiro que escrevi para o futuro, ainda não tenho condições de fazer o filme, não é um filme difícil, mas eu quero muita realidade nele. Pupas, trata de abduções, mas não aquelas de mostrar naves mirabolantes ou ETs, é algo mais psicológico também, tenho também um teaser do A Última Fronteira, que foi um roteiro escrito para uma aula e que tirou nota máxima, era uma historia que eu tinha escrito na 8ª série, então só dei umas adaptadas, futuramente pretendo colocar ele para frente, é um filme pesado emocionalmente, tem algumas viradas que meus professores acharam geniais, então acho que é um roteiro com potencial. Não sei se o Atividade Paranormal Aracaju foi um sucesso (RS), muita gente amou e muita gente odiou, acho que está meio a meio, ele tem muitas falha, mas atribuído a correria que foi e toda a improvisação, mas gostei muito da experiência com o suspense, embora eu assista muitos filmes do tema nunca tinha feito nenhum, estou pensando em fazer um próximo trabalho com algo do tipo.

LV: No curta você utilizou variadas peripécias para realizar as trucagens macabras que atormentam a personagem da atriz Samara Peixoto. Você pode descrevê-las? E quais eram as outras que você pretendia colocar, mas que por motivos de tempo não foram postas na edição final do curta?
Delano: Pois é, primeiro coloquei a cena clássica da porta abrindo e fechando sozinha, eu fiquei atrás da porta e eu mesmo abri e fechei, o difícil é que quando fizemos muitas cenas só tinha eu, ela e meu amigo Cleiton Lobo, que só chegou um tempo depois para ajudar. Depois tem a cena das luzes que ascendem e apagam, a cena do fogo, que foi o gasto de produção de 1 real e 50 centavos(rs), fui comprar na mesma noite por que não tinha álcool em casa, então joguei no chão e toquei fogo, na edição eu só fiz inverter a cena, então é como se o fogo surgisse do chão. Logo em seguida vem a cena que eu mais gosto, a da cama se mexendo com ela em cima, foi meu amigo Cleiton que moveu a cama. A cena final, em que eu e Samara somos arrastados foi ele também que arrastou ela junto comigo. As cenas que eu queria fazer era algo flutuando e caindo na cozinha, queria também ter feito algo com vento abrindo todas as portas de vez, e também ter feito algo com sangue. Muitas das pequenas idéias que vinham na hora acabavam sendo inviáveis devido ao tempo.

LV:Voltando para o lado acadêmico. O que está achando, até o momento, do seu curso de graduação em Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe (UFS)?
Delano: Não só o curso de Audiovisual da UFS, como também todo o departamento de comunicação estavam passando por muitas dificuldades, sem equipamentos, salas adequada, professores e sempre que solicitávamos algo nunca era concretizado. Alguns professores nossos tentam ajudar, alguns compraram equipamentos do próprio bolso para darem aula, então foi preciso medidas drásticas, até que resolvemos ocupar a reitoria. Invadimos e acampamos por quase duas semanas, só sairíamos quando o reitor se pronunciasse em uma assembléia pública e cedesse o material que precisaríamos. O interessante é que na sala dele encontramos vários pacotes de programas que usaríamos para edição, além de lentes e câmeras... Enfim, uma putaria. Então houve a tal assembléia e a secretaria da educação deu dois meses para eles conseguirem tudo que precisávamos. E rapidinho tudo mudou! Eu estou indo para o 6º período e digo que só agora vou começar a ter aulas de verdade.

LV: Você é um dos jurados do festival sergipano tr3s.minutos. Como surgiu o convite e o que você espera do resultado e das dimensões que o festival vai lhe proporcionar?
Delano: Quem começou a organizar o festival foram alguns amigos meus de turma, o festival, assim como também o Sercine, Festival de Cinema Universitário, foram criados por alunos em parceria com o NPD Orlando Vieira, com competência muito grande. Está dando resultados muito positivos, maior do que esperávamos. O convite surgiu numa simples pergunta, “Marlon você quer participar do festival como concorrente ou quer ser um jurado?” Então pensei rapidinho... Decidi ser jurado, até por ser uma experiência nova e como eu já participei de muitos festivas estava a fim de sentir como é a emoção de estar do outro lado e aprovar ou não os curtas. Em agosto irei ministrar uma oficina de vídeo digital e participarei da mesa de debate como realizador sergipano, eu sou o maior crítico de mim mesmo, às vezes sou muito inseguro, mas o pessoal me dá muito apoio e incentivo, sou um cara de sorte (rs). Com o crescimento desses festivais creio que em breve Aracaju começará a ser mais conhecido no meio cinematográfico, sendo que longas e novelas já foram rodados nas terras de “Serigy”. Orquestra dos Meninos, Aos ventos que Virão, O Senhor dos Labirintos, Tieta, Cordel Encantado são alguns exemplos. Existe também há 11 anos o Curta-SE, Festival Ibero Americano de Cinema, no qual fui selecionado ano passado com o curta Sede e Saudade e esse ano com o curta Lembranças, agora é torcer, mas esse ano está bem acirrado, pois as produções aumentaram, graças a divulgação de nossos trabalhos aqui em Sergipe. E é isso, valeu!

15 de junho de 2011

Cinema - Bandeiras Verdes

Por: Rayssa Baldez

O documentário de 1987 produzido por Murilo Santos retrata os interiores maranhenses abordando o aspecto do latifundiário nas modificações das relações campesinatas. No caso muitas famílias que mantinham a agricultura de subsistência foram expulsas de suas habitações, por conta dos grileiros que se apropriam dessas terras com falsas escrituras.


Nesse sentido a visão geral do filme está voltada para as disputas pelas posses de terra entre os agricultores e os grileiros e na eventual desapropriação dessas áreas localizadas na chamada Pré-Amazônica (no caso o interior de Vargem Grande). Especificadamente se vê no documentário a migração dos nordestinos que passam pelo Maranhão e vão para o oeste. E aborda por meio de depoimentos de pessoas pertencentes ao grupo de agricultores o seu Domingos e a dona Rosa: as repressões, as violências dos grileiros e seus capangas; as dificuldades para trabalhar nessas áreas de mata fechada que são terras de matas virgens, livres e férteis, à beira de grandes rios, nos quais as populações campesinatas irão se readaptar e moldar seus modos de vida a essa nova realidade rural.

O olhar de Murilo Santos retrata a simplicidade e sabedoria popular do homem agricultor, que apesar de não ter uma formação educacional e um conhecimento aprofundado sobre as questões humanas, possuem entendimento sobre os conflitos existentes nessas regiões de Pré-Amazônica e tentam se posicionar contra as explorações e dominações dos grileiros. Seu eventual êxodo para as bandeiras verdes é no sentido de reconstruir sua agricultura de subsistência e poder viver o cotidiano de sua vida rural, sem ter que ceder a dominações e explorações decorrentes da apropriação de extensas áreas de terras as quais as famílias rurais ocupavam.

"A história de uma família que parte em busca de novas terras
para cultivar e morar no interior do Maranhão."

15 de maio de 2011

Curta: UM RAMO (2007)


Por: Lucas Sá

Um Ramo é um curta-metragem de 2007 dirigido pelos diretores "parceiros" Marco Dutra e Juliana Rojas e chegou a ser selecionado e premiado nas mostra paralela do Festival de Cannes, a Semana da Crítica, ao qual recebeu o prêmio Découverte Kodak de melhor curta-metragem. Esse ano a colaboração mutua de Dutra e Rojas se apoia em um novo projeto, desta vez o longa Trabalho Cansa, que lhes proporcionaram novamente a ida em Cannes, concorrendo na mostra Um Certo Olhar (Un Cert Regard) que revela diretores mais experimentais em sua linguagem. O filme já foi exibido na mostra, se não me engano na sexta-feira, e tiveram no fim da sessão aplausos, o que é uma honra vinda dos espectadores carnívoros de Cannes, os críticos! Vejo essas mostras paralelas de Cannes como uma escada de reconhecimento, onde cada vez que o realizador se enquadra em uma certa mostra ele se aproxima de sua "garantia" na seleção para a almejada Palma de Ouro. Foi assim com Apichatpong Weerasethakul, Xavier Dolan e Michael Haneke.

Em Um Ramo, os diretores nos guiam por uma família de classe média e seu cotidiano. Algo bem típico do cinema nacional, mas a grande diferença em sua forma fílmica é a implementação de um elemento quase esquecido pelo nosso cinema, salvo alguns filmes recentes como Estômago e Nina, que no caso é o mistério. A construção da personagem central é simplista e observatório, nem câmera e a edição interferem de forma significativa no tom realista que permeia durante todo o curta. Clarisse em seu banheiro começa a perceber diferença em seu corpo, uma folha verde sai de seu pulso, isso não é normal, mas de início não se entrega a essa modificação. Essa deformação corporal cresce aceleradamente, Clarisse se desespera, mas mantém a calma, o seu comportamento civilizado. Um ramo passa a se alojar em seu corpo, e é a partir desse terreno que Dutra e Rojas unem o realismo do cinema nacional com o fantástico e o irracional. Esse elemento típico de filmes de horror, em Um Ramo, se coloca como algo natural e aceitável, algo real. E o que fixa essa idéia de realismo em um meio que flerta com os filmes B/trash é justamente a montagem e a forma de filmagem, já comentados, mas além desses dois elementos a atuação do elenco é outro fator que ganha força nessa ilusão do real. Os atores Helena Albergaria e Marat Descartes atuam com simplicidade sem o abuso de técnicas teatrais, em menos de vinte minutos mostram-se excelentes atores, parceria que deu certo, já que ambos são novamente os protagonista do novo filme da dupla de diretores, Trabalho Cansa.

Clarisse está se degradando racionalmente e fisicamente por folhas, plantas e raízes. Seu corpo se relacionando com a natureza da forma mais agressiva possível, seu relacionamento com o homem em cada plano se torna mais difícil e distante, já com os animais e o verde ela se torna atraída . Em várias cenas minimalistas pode ser percebida essa interação homem-natureza, como nos primeiros minutos onde Clarisse pega um pássaro que entra pela janela do quarto de seu filho e o joga pela janela, a sua atenção para uma notícia de jornal de uma baleia encalhada em uma praia, uma mulher chorando enquanto corta uma cebola, e a sua preocupação para com o peixe do filho. O peixe é um caso especial no filme, nos planos dá a entender que o peixe do filho se jogou do aquário e morreu. Assim, Clarisse vai até uma loja especializada e compra um peixe parecido com o anterior, e enquanto come com o seu marido fala, "Será que ele vai perceber?". Mais adiante o seu filho começa a bater no vidro do aquário e Clarisse arrogantemente lhe diz para parar de bater e não dá comida para o peixe se não ele morre, a câmera nos revela ainda que este aquário está mal arejado e cheio de musgos e limo, cheio de VERDE. De alguma forma isso afeta subjetivamente Clarisse, ou seja, ela se complementa com esse universo orgânico da natureza, esquecendo por vezes de seu controle social padrão.

Clarisse e sua paranóia egoísta. Seu corpo sangra, faixas brancas de ataduras e algodões são enrolados em seu corpo, cada vez mais suas roupas cobrem sua pele, de camisetas passa a usar blusões e moletons esverdeados que escondem suas feridas e seus ramos. Essa perturbação física que interage com o psicológico ganha referências em filmes como Possuídos (Bug) de William Friedkin e Cisne Negro de Darren Aronofsky. Em Possuídos dois personagens, um homem e uma mulher, se martirizam por acreditarem que seu corpo está sendo invadido por insetos de todas as espécies, em uma viagem ao esquizofrenismo e ao bizarro. Talvez se Um Ramo se alongasse e se tornasse um "filme" teríamos chegado a este estágio, mas não, ele se contenta em sua proposta. Clarisse volta ao banheiro de início, dessa vez sem cobrir seu corpo, nua, debaixo do chuveiro ela "rega" seus ramos como um quadro, aceitando sua diferença, ela vira seu rosto e olha fixamente para a câmera, para nós, se perguntando "o que está acontecendo?". Um Ramo, para mim, ainda continua uma incógnita. (?)

27 de novembro de 2010

Cinema - Entrevista com Felipe M. Guerra

Por: Lucas Sá e Lucas Abreu

Muitos cineastas vêem o cinema de horror/terror como um gênero menor, mas alguns ainda persistem em fazê-lo por não encontrarem nos filmes o que realmente procuram.

No Brasil, vem aparecendo novos diretores deste gênero bastardo, que ainda é muito discriminado no país. De duas décadas para cá, vários cineastas e festivais no ramo se destacaram no cenário underground, como o diretor Felipe M. Guerra. O qual realizamos uma entrevista exclusiva sobre filmes, influências, dentre outros assuntos.


Lucas’s Ville: Da época que você começou a exibir seus curtas em festivais para cá você percebeu algumas mudanças em relação a qualidade e até mesmo a exibição dos curtas? E o que espera dos novos que estão surgindo, como o ESPANTOMANIA e o FAM- Curtas Guarulhos?
Felipe M. Guerra: Uma coisa interessante, hoje, é que existem mais festivais. Mas uma coisa nem tão interessante é que a maioria dos festivais ainda tem muita frescura, com tantas exigências que até desestimulam a participação. Diversos desses eventos não aceitam filmes gravados em mini-DV, por exemplo (apenas HD para cima). Isso limita o espaço para quem ainda é muito independente. E convenhamos que é até ridículo você passar o seu curta barato feito em casa, gravado em mini-DV e com a sua avó no papel principal, na mesma sessão de um curta profissional como o "Ninjas" do Dennison Ramalho, que tem tudo do bom e do melhor. Mesmo que já existam alguns eventos voltados exclusivamente a essa produção, digamos, "menos profissional" (como a Mostra Cinema de Bordas, do Itaú Cultural), eu lamento o fato de que ainda se consegue pouco espaço em festivais de cinema. Espero que esses novos festivais que estão surgindo se tornem uma vitrine para os talentos que estão surgindo, como já são, hoje, o Fantaspoa, em Porto Alegre, e o CineFantasy, em São Paulo. Se nomes talentosos como Rodrigo Aragão e Joel Caetano foram descobertos, acho que é principalmente por causa desses festivais.

L’sV: Quais filmes e diretores o levaram a fazer filmes?
FMG: Eis uma boa pergunta. Eu sempre quis fazer filmes, desde criança. Brincava com meus Comandos em Ação "dirigindo" filmes imaginários, com começo, meio e fim. Na época, era muito difícil as famílias terem câmera, e ninguém nem sonhava que um dia você poderia filmar com sua câmera fotográfica digital ou telefone celular. Mas eu acho que duas grandes influências foram Ed Wood e Quentin Tarantino. Quando vi "Plan 9 From Outer Space" pela primeira vez, por exemplo, lembro que fiquei com a maior vontade de fazer o meu próprio filme depois - não parece tão difícil depois que você vê os filmes do Wood! E eu gosto desse lado do Tarantino de citar personagens, diálogos e cenas dos milhares de filmes bagaceiros que ele viu na vida. Muita gente nunca teria ouvido falar em Sonny Chiba e Enzo G. Castellari se não fosse pelo Tarantino. A propósito, o Peter Baiestorf também foi uma grande influência para que eu começasse a dirigir meus próprios filmes, porque me mostrou que era possível fazê-los em VHS sem orçamento algum.

L’sV: Sendo um cineasta independente, como você vê essa relação desses realizadores privilegiarem homenagens em seus curta e filmes à diretores e longas consagrados?
FMG: Não vejo problema algum com isso. Eu mesmo adoro citar e homenagear os filmes e diretores de que gosto. Por exemplo, em "Patricia Gennice", meu primeiro longa, os bandidos assistem a uma cena de "The Beyond", do Lucio Fulci, na TV. Em "Canibais & Solidão", citei várias vezes o ciclo italiano de filmes sobre canibalismo. E por aí vai. Esses dias um repórter me perguntou se eu não sentia que estava copiando outros filmes e realizadores, e eu respondi que, se fosse simples assim, o Tarantino ia ser o maior copiador da história, e o Brian DePalma não passaria de um mero plagiador do Hitchcock.

L’sV: No seu novo curta, “Extrema Unção”, nós podemos notar uma veia mais séria, até então desconhecida em seus projetos passados, você pretende continuar nessa vertente mais formal?
FMG: Não. Logo vou lançar o “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado Parte 2" (em julho de 2011), longa em que volto para a palhaçada assumida. "Extrema Unção" foi uma experiência, um teste para ver se eu conseguiria fazer um filme de terror "sério", sem gracinhas ou auto-referências. Eu até gostei do resultado - e ouvi/li muitos elogios também -, mas não acho que conseguiria fazer, por exemplo, um longa inteiro sério desse jeito. Porque eu sou naturalmente palhaço e brincalhão, e gosto das coisas bem-humoradas. O próprio "Extrema Unção" tem umas piadinhas de humor negro, como a cena da dentadura. Mas valeu pela experiência. Provavelmente vou filmar mais um ou dois curtas "sérios", e depois volto para a avacalhação.

L’sV: Já recebeu alguma proposta para produções de maiores orçamentos?
FMG: Nunca. O único convite que já recebi na vida para fazer algo "por encomenda" foi uma proposta para dirigir um filme pornográfico em 2003, que eu não aceitei por achar que não conseguiria fazer o trabalho sem rir. Na verdade, eu nem sei o que faria com um orçamento maior. Provavelmente locar equipamento melhor e pagar a equipe (pois nunca paguei nada para meus colaboradores). Mas não iria querer fazer nenhuma superprodução ousada ou complicada, porque não é a minha proposta. Eu jamais faria um "Avatar", por exemplo. Pelo contrário, provavelmente filmaria uma produção barata e desviaria a maior parte do orçamento do James Cameron para o meu próprio bolso. Então, se algum maluco ler essa entrevista e quiser me dar uns milhões de reais para fazer um filme, eu acho que vou fazer algo parecido com o que faço agora, só que melhor tecnicamente, sem exageros ou efeitos complicados. E provavelmente ia sobrar dinheiro no final. O único projeto que eu realmente queria ter dinheiro para filmar é o meu bangue-bangue. Tenho um roteiro escrito, mas é uma coisa épica. A história se passa no século 19, nos tempos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, e preciso de verba para fazer toda a reconstituição de época (figurinos, construção de cenários, de objetos de cena). Fora isso, acho que muito dinheiro só atrapalha, trava a criatividade e tira toda a graça do improviso. Sam Raimi e Peter Jackson que o digam!

L’sV: Em alguns filmes seus, há o uso mais acentuado da maquiagem e efeitos especiais. Por exemplo, em algumas cenas do filme “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”. Exigiram algum profissional para os efeitos?
FMG: Eu e meus irmãos, Rodrigo e Diego, sempre fizemos os efeitos de maquiagem nos meus filmes, e é aquela coisa improvisada e barata com acessórios fáceis de conseguir. Desde que comecei a fazer filmes, me espantei com a facilidade que você tem para "enganar" o público. Uma trucagem tosca, como um facão cortado no meio e preso na barriga de alguém com suco de groselha por cima, já é o suficiente para revoltar o estômago de algumas pessoas! Porém, para as filmagens de "Entrei em Pânico Parte 2", resolvi convidar um maquiador profissional, o Ricardo Ghiorzi, para fazer alguns dos efeitos mais complicados. Afinal, ao fazer a continuação de um filme, você tem que mostrar muito mais do que o original. E como eu não conseguiria improvisar cabeças decepadas, serradas no meio e outras coisas nesse nível com nossos efeitos toscos, contratei o Ghiorzi, cujo trabalho é muito bom (você pode conferir no site dele, (www.flogao.com.br/ghiorzi). Infelizmente, a minha falta de verba não possibilita ter sempre um especialista em FX para ajudar nos filmes, mas eu adoraria trabalhar com efeitos melhores e mais elaborados. Meu sonho é um dia poder fazer um filme repleto de criaturas melequentas e mutilações diversas como "Evil Dead" ou "O Enigma do Outro Mundo". E eu nunca, mas nunca mesmo, pretendo fazer esse tipo de efeitos no computador! Tira toda a graça da coisa!!!

L’sV: Normalmente trabalhar com baixo orçamento obriga os diretores a improvisarem utilizando a criatividade. Qual truque mais mirabolante em relação ao gore e efeitos já utilizou em cena?
FMG: Bem, um dos truques mais mirabolantes foi usado em “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”. Tinha uma cena em que um rapaz morria com uma torneira enfiada no pescoço, por onde todo o seu sangue era drenado. No roteiro era lindo, mas eu não conseguia grudar a torneira no pescoço do infeliz de jeito nenhum! Tentei cola, silicone, massa, de tudo... No auge do desespero, como a torneira não parava no pescoço, resolvi usar um truque dos tempos do cinema mudo: deitei o "ator" no chão, coloquei a torneira de pé no seu pescoço, de uma forma que ficasse paradinha, e filmei com a câmera virada, como se o cara estivesse de pé! Vendo a cena, nem se percebe que o sujeito, na verdade, estava deitado no chão! Outra cena em que tive que improvisar foi em "Canibais & Solidão", quando o protagonista sonha que arranca as tripas de uma garota. Eu filmei o "ator" arrancando umas tripas da barriga da "atriz", mas não ficou nojento o suficiente. Então descobri que a família de um amigo iria matar um porco para fazer salame (à época eu ainda morava no interior do RS). Fui até lá e filmei uns planos de detalhe dos caras arrancando os órgãos internos do porco, e coloquei uns inserts bem curtinhos na cena, para parecer que era a menina sendo esquartejada. Não ficou exatamente realista, mas pelo menos ficou nojento, e acho que funcionou dentro da proposta tosca da coisa.

L’sV: A respeito dos equipamentos utilizados nas suas produções. Tu podes comentar a respeito do equipamento que você utilizava, para o que você utiliza hoje? E o que você acha dessas novas possibilidades tecnológicas na produção de curta?
FMG: Comecei a filmar em 1995, usando câmeras VHS e editando os filmes em dois videocassetes (o primeiro passava a fita, o segundo gravava/pausava na ordem linear). É a maneira mais tosca e difícil de edição, então você imagine fazer um filme de duas horas, como o “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”, desse jeito. Em 2006, para o "Canibais & Solidão", eu comprei uma placa de captura de vídeo e comecei a editar no computador. De 2009 em diante, estou filmando em mini-DV e editando no computador. Mas vou te confessar um negócio: por mais que a edição com dois videocassetes fosse trabalhosa e porca, parece muito mais simples que editar no computador! O que dá de problema não tem explicação!!! Já perdi noites em claro por causa da informática, que supostamente deveria facilitar a vida do cara. Por exemplo, a estréia de "Canibais & Solidão", em 2006, teve que ser cancelada (quando todos os espectadores já estavam na sala do cinema da minha cidade, sentadinhos e esperando) porque a renderização do vídeo deixou o som fora de sincronia com o vídeo, e eu só percebi isso tarde demais! Poderiam inventar uma forma mais fácil e prática de editar, e o computador devia tornar o processo mais simples, e não mais estressante. Agora, o grande diferencial de 1995 para hoje é o advento da internet, principalmente de sites para vídeos, como o YouTube. Ao mesmo tempo em que isso fodeu com os realizadores independentes (porque torna muito difícil a venda dos trabalhos, como se fazia no passado), o YouTube dá ampla visibilidade e divulgação, permitindo que seus filmes sejam vistos e conhecidos por um público ainda maior. E, no fim, é disso que se trata: de fazer filmes para serem vistos.

L’sV: Para finalizar. Você já consegue viver só de cinema ou tem alguma outra atividade paralela?
FMG: Poucos conseguem viver só da arte no Brasil. Aliás, se nem o José Mojica Marins, sendo quem é, conseguiu ou consegue viver de cinema, imagine eu! Isso não acontecia nem nos tempos em que se tinha retorno financeiro com os filmes (através das vendas de VHS e DVD). Hoje, quando você nem consegue mas vender os trabalhos porque todo mundo só quer baixar na internet ou ver de graça no YouTube, a situação fica ainda mais complicada. Na verdade eu sempre tive atividades paralelas: antes trabalhava como jornalista, agora faço bicos variados, mas adoraria viver só do cinema, seja dos meus filmes ou de escrever roteiros para outros - até porque tenho mais idéias do que tempo para filmá-las! Na verdade, viver só do cinema é o meu sonho, e o de muita gente por aí. Talvez tenhamos nascido no país errado...