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29 de fevereiro de 2012

MAKING OF - O Membro Decaído, um curta de Lucas Sá


Laura Sá se maquiando para close nos olhos / Teste de ângulo com Isabela Noleto

Agora teste com Laura Sá / Gabriel Coelho ensaiando movimentos

Bartira Sá (Minha mãe!!!) limpando o chão de sangue / Rayssa Baldez com brinquedo de produção

Gabriel Coelho e o dedo da repetição / Laura Sá, Airton Rener e Gabriel Magalhães

Airton Rener com Refrigerante Jesus na boca (e baba) para um plano em close

18 de julho de 2011

Atividade Paranormal Aracaju: Entrevista com Marlon Delano





Por: Lucas Sá


É a vez de o Brasil ter sua versão do filme de sucesso Atividade Paranormal! Com poucos recursos e em apenas uma noite, o diretor Marlon Delano, realizou um curta no mesmo estilo documental dos filmes desse novo estilo cinematográfico, que para mim, já está se tornando um gênero enraizado. Com 14 minutos de duração e a câmera-personagem, Atividade Paranormal Aracaju consegue manter-se tenso a todo o momento, atribuo isso, sobretudo, a atuação de Samara Peixoto, que me fez sentir com clareza o tormento sobrenatural que persegue sua personagem. Até em certos momentos cômicos, protagonizados pela própria Samara, o curta não se deixa levar a essa linha tênue que é o terror perante a comédia. Atividade Paranormal Aracaju foi realizado para o concurso cultural da distribuidora nacional Playarte, do filme tributo do original, que se passa em Tóquio, ao qual Marlon Delano foi o vencedor, faturando 5 mil reais e reconhecimento nacional, já que seu curta está sendo comentado em inúmeros canais midiáticos. Abaixo, realizamos uma entrevista exclusiva, por email, com o próprio realizador do curta, Marlon Delano, jovem que está no 6º período do curso de graduação em Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

LV: Qual foi o custo e período de produção do curta?
Delano: Quando eu soube do concurso faltavam apenas 4 dias para o fim das inscrições que era por link no videolog, então foi tudo bolado nas pressas. Tive a idéia ter dois irmãos, já que na época Samara estava morando comigo temporariamente, o engraçado é que depois eu soube que o Atividade Paranormal Tóquio também eram sobre dois irmãos. Gravamos em uma única noite, na noite seguinte só refizemos umas 2 cenas tudo muito rápido e corrido, o custo da produção foi de R$1,50, do litro de álcool que comprei na vendinha perto de casa para a cena do fogo. Depois corri pra editar e postei o vídeo no último dia, acho que no total foram dois dias de produção.

LV: Em Atividade Paranormal Aracaju, vemos uma forte tendência ao gênero horror e ao novo estilo pseudo-documentário, como os filme REC, O Caçador de Trolls e Cannibal Holocaust. Além desses gêneros, quais diretores e filmes você é influenciado em suas obras em geral?
Delano: Então, o curta foi no estilo documental para seguir a linha do filme original e foi uma experiência legal, pois há algum tempo eu já tinha a idéia de fazer algo assim, então foi um empurrão, o chato é que tive que atuar, foi péssimo, não nasci para ser ator (rs). Eu nunca fui muito de me influenciar por outros diretores, não por querer ser original, nem nada disso, mas é algo que nunca parei para pensar, tipo seguir o estilo de “alguém”. Eu adoro filmes de drama e também de filmes pesados e densos, que te deixam pra baixo embora nenhum de meus curtas tenha sido ainda nesse estilo, gosto muito do trabalho do Esmir Filho, ele faz filmes sobre adolescentes de uma forma que faz agente realmente se lembrar de como eram as épocas de escola e dos 15 anos, gosto muito do trabalho dos caras do Trincheira Filmes de Recife, ao qual já tive a oportunidade de conhecê-los pessoalmente, mas resumindo, não sigo nenhuma linha, apenas faço o que vem na mente.

LV: Em seu canal no youtube, pode ser visualizado o teaser de alguns curtas, como o “Pupas”. Sobre o que é essa produção e o que você pretende fazer depois do sucesso de Atividade Paranormal Aracaju?
Delano: Tenho também o canal www.youtube.com/lastimus que tem uns trabalhos mais antigos e mais vídeos como os meus de desenhos e manipulações no Photoshop. O Pupas é um roteiro que escrevi para o futuro, ainda não tenho condições de fazer o filme, não é um filme difícil, mas eu quero muita realidade nele. Pupas, trata de abduções, mas não aquelas de mostrar naves mirabolantes ou ETs, é algo mais psicológico também, tenho também um teaser do A Última Fronteira, que foi um roteiro escrito para uma aula e que tirou nota máxima, era uma historia que eu tinha escrito na 8ª série, então só dei umas adaptadas, futuramente pretendo colocar ele para frente, é um filme pesado emocionalmente, tem algumas viradas que meus professores acharam geniais, então acho que é um roteiro com potencial. Não sei se o Atividade Paranormal Aracaju foi um sucesso (RS), muita gente amou e muita gente odiou, acho que está meio a meio, ele tem muitas falha, mas atribuído a correria que foi e toda a improvisação, mas gostei muito da experiência com o suspense, embora eu assista muitos filmes do tema nunca tinha feito nenhum, estou pensando em fazer um próximo trabalho com algo do tipo.

LV: No curta você utilizou variadas peripécias para realizar as trucagens macabras que atormentam a personagem da atriz Samara Peixoto. Você pode descrevê-las? E quais eram as outras que você pretendia colocar, mas que por motivos de tempo não foram postas na edição final do curta?
Delano: Pois é, primeiro coloquei a cena clássica da porta abrindo e fechando sozinha, eu fiquei atrás da porta e eu mesmo abri e fechei, o difícil é que quando fizemos muitas cenas só tinha eu, ela e meu amigo Cleiton Lobo, que só chegou um tempo depois para ajudar. Depois tem a cena das luzes que ascendem e apagam, a cena do fogo, que foi o gasto de produção de 1 real e 50 centavos(rs), fui comprar na mesma noite por que não tinha álcool em casa, então joguei no chão e toquei fogo, na edição eu só fiz inverter a cena, então é como se o fogo surgisse do chão. Logo em seguida vem a cena que eu mais gosto, a da cama se mexendo com ela em cima, foi meu amigo Cleiton que moveu a cama. A cena final, em que eu e Samara somos arrastados foi ele também que arrastou ela junto comigo. As cenas que eu queria fazer era algo flutuando e caindo na cozinha, queria também ter feito algo com vento abrindo todas as portas de vez, e também ter feito algo com sangue. Muitas das pequenas idéias que vinham na hora acabavam sendo inviáveis devido ao tempo.

LV:Voltando para o lado acadêmico. O que está achando, até o momento, do seu curso de graduação em Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe (UFS)?
Delano: Não só o curso de Audiovisual da UFS, como também todo o departamento de comunicação estavam passando por muitas dificuldades, sem equipamentos, salas adequada, professores e sempre que solicitávamos algo nunca era concretizado. Alguns professores nossos tentam ajudar, alguns compraram equipamentos do próprio bolso para darem aula, então foi preciso medidas drásticas, até que resolvemos ocupar a reitoria. Invadimos e acampamos por quase duas semanas, só sairíamos quando o reitor se pronunciasse em uma assembléia pública e cedesse o material que precisaríamos. O interessante é que na sala dele encontramos vários pacotes de programas que usaríamos para edição, além de lentes e câmeras... Enfim, uma putaria. Então houve a tal assembléia e a secretaria da educação deu dois meses para eles conseguirem tudo que precisávamos. E rapidinho tudo mudou! Eu estou indo para o 6º período e digo que só agora vou começar a ter aulas de verdade.

LV: Você é um dos jurados do festival sergipano tr3s.minutos. Como surgiu o convite e o que você espera do resultado e das dimensões que o festival vai lhe proporcionar?
Delano: Quem começou a organizar o festival foram alguns amigos meus de turma, o festival, assim como também o Sercine, Festival de Cinema Universitário, foram criados por alunos em parceria com o NPD Orlando Vieira, com competência muito grande. Está dando resultados muito positivos, maior do que esperávamos. O convite surgiu numa simples pergunta, “Marlon você quer participar do festival como concorrente ou quer ser um jurado?” Então pensei rapidinho... Decidi ser jurado, até por ser uma experiência nova e como eu já participei de muitos festivas estava a fim de sentir como é a emoção de estar do outro lado e aprovar ou não os curtas. Em agosto irei ministrar uma oficina de vídeo digital e participarei da mesa de debate como realizador sergipano, eu sou o maior crítico de mim mesmo, às vezes sou muito inseguro, mas o pessoal me dá muito apoio e incentivo, sou um cara de sorte (rs). Com o crescimento desses festivais creio que em breve Aracaju começará a ser mais conhecido no meio cinematográfico, sendo que longas e novelas já foram rodados nas terras de “Serigy”. Orquestra dos Meninos, Aos ventos que Virão, O Senhor dos Labirintos, Tieta, Cordel Encantado são alguns exemplos. Existe também há 11 anos o Curta-SE, Festival Ibero Americano de Cinema, no qual fui selecionado ano passado com o curta Sede e Saudade e esse ano com o curta Lembranças, agora é torcer, mas esse ano está bem acirrado, pois as produções aumentaram, graças a divulgação de nossos trabalhos aqui em Sergipe. E é isso, valeu!

27 de novembro de 2010

Cinema - Entrevista com Felipe M. Guerra

Por: Lucas Sá e Lucas Abreu

Muitos cineastas vêem o cinema de horror/terror como um gênero menor, mas alguns ainda persistem em fazê-lo por não encontrarem nos filmes o que realmente procuram.

No Brasil, vem aparecendo novos diretores deste gênero bastardo, que ainda é muito discriminado no país. De duas décadas para cá, vários cineastas e festivais no ramo se destacaram no cenário underground, como o diretor Felipe M. Guerra. O qual realizamos uma entrevista exclusiva sobre filmes, influências, dentre outros assuntos.


Lucas’s Ville: Da época que você começou a exibir seus curtas em festivais para cá você percebeu algumas mudanças em relação a qualidade e até mesmo a exibição dos curtas? E o que espera dos novos que estão surgindo, como o ESPANTOMANIA e o FAM- Curtas Guarulhos?
Felipe M. Guerra: Uma coisa interessante, hoje, é que existem mais festivais. Mas uma coisa nem tão interessante é que a maioria dos festivais ainda tem muita frescura, com tantas exigências que até desestimulam a participação. Diversos desses eventos não aceitam filmes gravados em mini-DV, por exemplo (apenas HD para cima). Isso limita o espaço para quem ainda é muito independente. E convenhamos que é até ridículo você passar o seu curta barato feito em casa, gravado em mini-DV e com a sua avó no papel principal, na mesma sessão de um curta profissional como o "Ninjas" do Dennison Ramalho, que tem tudo do bom e do melhor. Mesmo que já existam alguns eventos voltados exclusivamente a essa produção, digamos, "menos profissional" (como a Mostra Cinema de Bordas, do Itaú Cultural), eu lamento o fato de que ainda se consegue pouco espaço em festivais de cinema. Espero que esses novos festivais que estão surgindo se tornem uma vitrine para os talentos que estão surgindo, como já são, hoje, o Fantaspoa, em Porto Alegre, e o CineFantasy, em São Paulo. Se nomes talentosos como Rodrigo Aragão e Joel Caetano foram descobertos, acho que é principalmente por causa desses festivais.

L’sV: Quais filmes e diretores o levaram a fazer filmes?
FMG: Eis uma boa pergunta. Eu sempre quis fazer filmes, desde criança. Brincava com meus Comandos em Ação "dirigindo" filmes imaginários, com começo, meio e fim. Na época, era muito difícil as famílias terem câmera, e ninguém nem sonhava que um dia você poderia filmar com sua câmera fotográfica digital ou telefone celular. Mas eu acho que duas grandes influências foram Ed Wood e Quentin Tarantino. Quando vi "Plan 9 From Outer Space" pela primeira vez, por exemplo, lembro que fiquei com a maior vontade de fazer o meu próprio filme depois - não parece tão difícil depois que você vê os filmes do Wood! E eu gosto desse lado do Tarantino de citar personagens, diálogos e cenas dos milhares de filmes bagaceiros que ele viu na vida. Muita gente nunca teria ouvido falar em Sonny Chiba e Enzo G. Castellari se não fosse pelo Tarantino. A propósito, o Peter Baiestorf também foi uma grande influência para que eu começasse a dirigir meus próprios filmes, porque me mostrou que era possível fazê-los em VHS sem orçamento algum.

L’sV: Sendo um cineasta independente, como você vê essa relação desses realizadores privilegiarem homenagens em seus curta e filmes à diretores e longas consagrados?
FMG: Não vejo problema algum com isso. Eu mesmo adoro citar e homenagear os filmes e diretores de que gosto. Por exemplo, em "Patricia Gennice", meu primeiro longa, os bandidos assistem a uma cena de "The Beyond", do Lucio Fulci, na TV. Em "Canibais & Solidão", citei várias vezes o ciclo italiano de filmes sobre canibalismo. E por aí vai. Esses dias um repórter me perguntou se eu não sentia que estava copiando outros filmes e realizadores, e eu respondi que, se fosse simples assim, o Tarantino ia ser o maior copiador da história, e o Brian DePalma não passaria de um mero plagiador do Hitchcock.

L’sV: No seu novo curta, “Extrema Unção”, nós podemos notar uma veia mais séria, até então desconhecida em seus projetos passados, você pretende continuar nessa vertente mais formal?
FMG: Não. Logo vou lançar o “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado Parte 2" (em julho de 2011), longa em que volto para a palhaçada assumida. "Extrema Unção" foi uma experiência, um teste para ver se eu conseguiria fazer um filme de terror "sério", sem gracinhas ou auto-referências. Eu até gostei do resultado - e ouvi/li muitos elogios também -, mas não acho que conseguiria fazer, por exemplo, um longa inteiro sério desse jeito. Porque eu sou naturalmente palhaço e brincalhão, e gosto das coisas bem-humoradas. O próprio "Extrema Unção" tem umas piadinhas de humor negro, como a cena da dentadura. Mas valeu pela experiência. Provavelmente vou filmar mais um ou dois curtas "sérios", e depois volto para a avacalhação.

L’sV: Já recebeu alguma proposta para produções de maiores orçamentos?
FMG: Nunca. O único convite que já recebi na vida para fazer algo "por encomenda" foi uma proposta para dirigir um filme pornográfico em 2003, que eu não aceitei por achar que não conseguiria fazer o trabalho sem rir. Na verdade, eu nem sei o que faria com um orçamento maior. Provavelmente locar equipamento melhor e pagar a equipe (pois nunca paguei nada para meus colaboradores). Mas não iria querer fazer nenhuma superprodução ousada ou complicada, porque não é a minha proposta. Eu jamais faria um "Avatar", por exemplo. Pelo contrário, provavelmente filmaria uma produção barata e desviaria a maior parte do orçamento do James Cameron para o meu próprio bolso. Então, se algum maluco ler essa entrevista e quiser me dar uns milhões de reais para fazer um filme, eu acho que vou fazer algo parecido com o que faço agora, só que melhor tecnicamente, sem exageros ou efeitos complicados. E provavelmente ia sobrar dinheiro no final. O único projeto que eu realmente queria ter dinheiro para filmar é o meu bangue-bangue. Tenho um roteiro escrito, mas é uma coisa épica. A história se passa no século 19, nos tempos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, e preciso de verba para fazer toda a reconstituição de época (figurinos, construção de cenários, de objetos de cena). Fora isso, acho que muito dinheiro só atrapalha, trava a criatividade e tira toda a graça do improviso. Sam Raimi e Peter Jackson que o digam!

L’sV: Em alguns filmes seus, há o uso mais acentuado da maquiagem e efeitos especiais. Por exemplo, em algumas cenas do filme “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”. Exigiram algum profissional para os efeitos?
FMG: Eu e meus irmãos, Rodrigo e Diego, sempre fizemos os efeitos de maquiagem nos meus filmes, e é aquela coisa improvisada e barata com acessórios fáceis de conseguir. Desde que comecei a fazer filmes, me espantei com a facilidade que você tem para "enganar" o público. Uma trucagem tosca, como um facão cortado no meio e preso na barriga de alguém com suco de groselha por cima, já é o suficiente para revoltar o estômago de algumas pessoas! Porém, para as filmagens de "Entrei em Pânico Parte 2", resolvi convidar um maquiador profissional, o Ricardo Ghiorzi, para fazer alguns dos efeitos mais complicados. Afinal, ao fazer a continuação de um filme, você tem que mostrar muito mais do que o original. E como eu não conseguiria improvisar cabeças decepadas, serradas no meio e outras coisas nesse nível com nossos efeitos toscos, contratei o Ghiorzi, cujo trabalho é muito bom (você pode conferir no site dele, (www.flogao.com.br/ghiorzi). Infelizmente, a minha falta de verba não possibilita ter sempre um especialista em FX para ajudar nos filmes, mas eu adoraria trabalhar com efeitos melhores e mais elaborados. Meu sonho é um dia poder fazer um filme repleto de criaturas melequentas e mutilações diversas como "Evil Dead" ou "O Enigma do Outro Mundo". E eu nunca, mas nunca mesmo, pretendo fazer esse tipo de efeitos no computador! Tira toda a graça da coisa!!!

L’sV: Normalmente trabalhar com baixo orçamento obriga os diretores a improvisarem utilizando a criatividade. Qual truque mais mirabolante em relação ao gore e efeitos já utilizou em cena?
FMG: Bem, um dos truques mais mirabolantes foi usado em “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”. Tinha uma cena em que um rapaz morria com uma torneira enfiada no pescoço, por onde todo o seu sangue era drenado. No roteiro era lindo, mas eu não conseguia grudar a torneira no pescoço do infeliz de jeito nenhum! Tentei cola, silicone, massa, de tudo... No auge do desespero, como a torneira não parava no pescoço, resolvi usar um truque dos tempos do cinema mudo: deitei o "ator" no chão, coloquei a torneira de pé no seu pescoço, de uma forma que ficasse paradinha, e filmei com a câmera virada, como se o cara estivesse de pé! Vendo a cena, nem se percebe que o sujeito, na verdade, estava deitado no chão! Outra cena em que tive que improvisar foi em "Canibais & Solidão", quando o protagonista sonha que arranca as tripas de uma garota. Eu filmei o "ator" arrancando umas tripas da barriga da "atriz", mas não ficou nojento o suficiente. Então descobri que a família de um amigo iria matar um porco para fazer salame (à época eu ainda morava no interior do RS). Fui até lá e filmei uns planos de detalhe dos caras arrancando os órgãos internos do porco, e coloquei uns inserts bem curtinhos na cena, para parecer que era a menina sendo esquartejada. Não ficou exatamente realista, mas pelo menos ficou nojento, e acho que funcionou dentro da proposta tosca da coisa.

L’sV: A respeito dos equipamentos utilizados nas suas produções. Tu podes comentar a respeito do equipamento que você utilizava, para o que você utiliza hoje? E o que você acha dessas novas possibilidades tecnológicas na produção de curta?
FMG: Comecei a filmar em 1995, usando câmeras VHS e editando os filmes em dois videocassetes (o primeiro passava a fita, o segundo gravava/pausava na ordem linear). É a maneira mais tosca e difícil de edição, então você imagine fazer um filme de duas horas, como o “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feiras 13 do Verão Passado”, desse jeito. Em 2006, para o "Canibais & Solidão", eu comprei uma placa de captura de vídeo e comecei a editar no computador. De 2009 em diante, estou filmando em mini-DV e editando no computador. Mas vou te confessar um negócio: por mais que a edição com dois videocassetes fosse trabalhosa e porca, parece muito mais simples que editar no computador! O que dá de problema não tem explicação!!! Já perdi noites em claro por causa da informática, que supostamente deveria facilitar a vida do cara. Por exemplo, a estréia de "Canibais & Solidão", em 2006, teve que ser cancelada (quando todos os espectadores já estavam na sala do cinema da minha cidade, sentadinhos e esperando) porque a renderização do vídeo deixou o som fora de sincronia com o vídeo, e eu só percebi isso tarde demais! Poderiam inventar uma forma mais fácil e prática de editar, e o computador devia tornar o processo mais simples, e não mais estressante. Agora, o grande diferencial de 1995 para hoje é o advento da internet, principalmente de sites para vídeos, como o YouTube. Ao mesmo tempo em que isso fodeu com os realizadores independentes (porque torna muito difícil a venda dos trabalhos, como se fazia no passado), o YouTube dá ampla visibilidade e divulgação, permitindo que seus filmes sejam vistos e conhecidos por um público ainda maior. E, no fim, é disso que se trata: de fazer filmes para serem vistos.

L’sV: Para finalizar. Você já consegue viver só de cinema ou tem alguma outra atividade paralela?
FMG: Poucos conseguem viver só da arte no Brasil. Aliás, se nem o José Mojica Marins, sendo quem é, conseguiu ou consegue viver de cinema, imagine eu! Isso não acontecia nem nos tempos em que se tinha retorno financeiro com os filmes (através das vendas de VHS e DVD). Hoje, quando você nem consegue mas vender os trabalhos porque todo mundo só quer baixar na internet ou ver de graça no YouTube, a situação fica ainda mais complicada. Na verdade eu sempre tive atividades paralelas: antes trabalhava como jornalista, agora faço bicos variados, mas adoraria viver só do cinema, seja dos meus filmes ou de escrever roteiros para outros - até porque tenho mais idéias do que tempo para filmá-las! Na verdade, viver só do cinema é o meu sonho, e o de muita gente por aí. Talvez tenhamos nascido no país errado...

4 de julho de 2010

Cinema - Curta "Verbena e Limão"

Por: Lucas Sá

Bom, algumas pessoas sabem que eu e Lucas Kurz (outro Lucas...são muito Lucas's) estamos fazendo um curta para o 3° Maranhão Vídeo de Bolso. O curta foi todo filmvariadas.

O vídeo terminou de ser editado ontem de noite e consequentemente o poster.

O nome do curta é " VERBENA E LIMÃO".