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16 de novembro de 2011

Cannibal Holocaust + CSS

Por: Lucas Sá

Lançado a cinco dia atrás o novo clipe da banda brasileira Electro-pop-cool-hipster-minha roupa é minha vida, Cansei de Ser sexy, me trouxe uma alegre surpresa. O vídeo da música City Grrrl do também novo álbum da banda, intitulado de La Liberación, traz em sua abertura uma trilha instrumental de um dos filmes mais emblemáticos do cinema italiano.

No primeiro minuto do vídeo a vocalista Lovefoxxx sai de um ônibus com o letreiro: New York. É ai que a trilha composta por Riz Ortolani, tema do filme Cannibal Holocaust, começa a tocar. No longa essa trilha é que entrega certos tons melancólicos ao filme, confesso que quase choro vendo as cenas de horror canibalescas acompanhada por essa música. Riz Ortolani já realizou a composição musical de mais de 200 filmes, trabalhando com o mestre da pornografia italiana, Tinto Brass. Suas trilhas também foram utilizadas nos filme Kill Bill e Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, grande fã das obras do país (quem não é?).

City Grrrl narra a trajetória de uma garota do interior que almeja/deseja ir para a cidade grande, no caso, Nova York. O clipe é o segundo do novo álbum e é um misto de referências visuais e fílmicas, como a já cansada e óbvia cena de Pulp Fiction, onde Uma Thurman faz um quadrado com seus dedos, formando na tela o desenho do seu movimento. O clipe também se mantém em sintonia, pelo figurino e locações do subúrbio nova-iorquino, com o filme Procura-se Susan Desesperadamente, protagonizado por Madonna quase antes de estourar com Like a Virgin.

La Liberación é o terceiro álbum da banda que ficou sumida durante alguns anos. Este novo projeto retoma o espírito sarcástico e infantil das músicas de seu primeiro disco, que alegrou a fãs que não se acostumaram e desaprovaram o tom mais maduro do segundo disco, intitulado de Donkey. Em La Liberación as batidas eletrônicas são mais agudas e irritantes, tudo isso com um toque mexicano e latino americano, como pode se perceber na introdução de City Grrrl, a melhor e mais boba música do álbum.




Falando em Cannibal Holocaust...

Esse mês irá ocorrer entre os dias 22 de novembro e 4 de dezembro o 6º Cinefantasy, festival paulista dedicado ao cinema de horror e fantástico. Dentre os longas e curtas ocorrerá a mostra Deodato Day, que irá exibir 3 longas do diretor italiano Ruggero Deodato, dentre eles, claro, não poderia faltar Cannibal Holocaust. Os outros dois são filmes raros de Deodato, como: O Último Mundo Dos Canibais e House On The Edge Of The Park.

Além dos longas nacionais (destaque para A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão) e internacionais, o festival irá exibir inúmeros curtas de realizadores independentes, como: ESTRANHA, de Joel Caetano
A VIDA DA MORTE, de Maciel Edinei Fischer
A NOITE DE SAMEDI, de Pedro Gandolla
CÉU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, de Rodrigo John
MORTE E MORTE DE JOHNNY ZOMBIE, de Gabriel Carneiro
O OGRO, de Márcio Júnior e Márcia Deretti
VELHOR MUNDO, de Armando Fonseca

O 6º Cinefantasy terão suas atividades no Cinesesc, na Cinemateca Brasileira, no Centro Cultural São Paulo e na Biblioteca Viriato Corrêa, todos em São Paulo, com sessões das 16h às 23h59.
Site: http://www.cinefantasy.com.br/

11 de fevereiro de 2011

Cinema - GUINEA PIG: Devil's Experiment

Por: Lucas Sá

Subintitulado sugestivamente de, Devil's Experiment, este filme consegue provar o quão o cinema tem o poder de provocar e realçar sentimentos de repulsa (e porque não de admiração?) em nossos preciosos OLHOS.

Guinea Pig é um filme japonês lançado em 1985. Na verdade não posso nem concordar ou afirmar que Guinea Pig é um filme propriamente dito. Sua curta duração, 43 minutos, o enquadra nos chamados média-metragens, e sua filmagem é em vídeo digital, o que não o ajuda neste sentido. Mas posso afirmar com absoluta certeza que estes 43 minutos foram um dos mais massivos e angustiantes que já vi em uma tela. O filme (ou não-filme) é um show de gore e bizarrices do início ao fim, tudo é mostrado e escancarado ao espectadores sem nnenhum mínimo de pudor ou carência. Está proposta é que faz Guinea Pig entrar em inúmeras listas de filmes mais insanos do cinema. Todo este auvoroso sobre o filme, o tornou quase que um mito entre os amantes deste tipo de gênero, no caso "eu". Muitos acreditaram por anos que as imagens vistas no vídeo são reais, sendo chamado até de Snuff Movie, que nada mais é que uma sessão de tortura e assassinato de verdade na frente das câmeras. Claro que o filme não é bem isso, mas chega bem próximo! Os Snuffs Movie fazem parte de um subgênero do horror que pouco se tem informações, não existe nada concreto sobre essa feição alegórica do macabro, mas se sabe que existem diferenças entre um Snuff e um assassinato filmado. Nesse tipo de filme os atores sabem que vão morrer e estes mesmos se protificam a se sacrificar pela, digamos, arte?! Um filme que explorou bem esse universo utópico sobre os Snuffs foi o ótimo, Tesis, do também talentoso, Alejandro Amenábar (Mar Adentro e Os Outros). Enfim, para a tristeza de uns e felicidade de outros, Guinea Pig não se trata de um Snuff Movie, mas então o que seria ele afinal, já que nem uma sinopse concreta o filme pode ter? Não sei me expresar muito bem sobre isso, talvez seja experimental... só sei que não é nada divertido (para alguns).

A Pseudo-sinopse, uma mulher é sequestrada e submetida a várias torturas fisícas, é prova de que Guine Pig não é só um filme violento, mas de certa forma revolucionário. A filmagem é executada da forma mais crua possível, se assemelhando ao filme do post anterior, Redacted, além dá ausância de um roteiro fixo. Pode se dizer que o filme foi feito por idéias predeterminadas, no caso, raciocínios mínimos de torturas elaboradas, tanto para a personagem que não se indentifica em momento algum, quanto para o espectador. Não é só está mulher que sofre, há momentos em que a câmera se posiciona na visão da personagem modelo, fazendo com nos coloque na posição dela, e que posição!!! Exemplo disso, é a cena em que a amarram em uma cadeira e começam a girá-la ininterruptamente. A ausência de falas foi outro recurso obviamente utilizado para aumenta a veracidade das cenas, sem isso, provavelmente esse fajuto realismo se tornaria frágil, já que os atores nem de longe parecem profissionais. Outro fator que intensifica este teor vanguardista, é a não implementação de nenhum tipo de crédito ou colaboração ao longo da projeção. Não tem diretor, produtor, ator, roteirista, figurino, trilha... não se tem nada! Guinea Pig é um filme de ninguém, para ninguém, ou apenas para um seleto grupo... Os de estômago forte!

Depois de alguns anos do lançamento desta bizarrice é que foram descobrir os responsáveis por tal proeza. Na verdade, Guinea Pig não passou de uma experiência de um grupo de estudantes de cinema para testar novas formas de se fazer maquiagens e efeitos especiais, testes que lhes renderam muito dinheiro e que no momento já tem 8 partes da série! Quase um Sexta Feira 13 da vida! A rumores de que esses estudantes, inclusive o diretor, Satoru Ogura, foram presos até provarem que não mataram e espancaram a moça. Satoru Ogura, pra se safar desta tranqueira, mostrou a polícia o making off das filmagens. Algo bem semelhante ao que aconteceu com o também bizarro, Cannibal Holocaust. Este making off acabou gerando um documentário chamado, Meikingu obu Za ginipiggu (Making off Guinea Pig), onde o diretor revelou tudo sobre os efeitos, atores e a idéia original. Outra história que contam por ai, foi que o ator Charlie Sheen, o Charlie de Two and a Half Men, viu o filme e ficou extremamente pertubado, fazendo com denunciasse imediatamente Guinea Pig para a autoritária empresa de controle de censura norte-americana, a MPAA ( entidade que é massacrada no documentário, Este Filme Ainda Não Foi Classificado ). Sendo assim, o filme passou mais uma vez por constrangimentos. Agora o caso mais sério do que os dois já citados, envolvendo até FBI, foi quando quando encontraram uma das oito partes da série na casa do serial killer japonês, Tsutomu Miyazaki, que estrupou, matou e comeu quatro crianças do sexo feminino.

Tapas, vermes, óleo quente, tripas, apertões na pele com alicates. Tudo isso faz parte do universo criado por estes estudantes de cinema há 26 anos atrás. Guinea Pig é uma aula sobre o cinema independente e sobretudo de efeitos especiais, que em meio a tanto sangue e gritos ainda tem espaço até para uma metáfora visual. Em sua cena final um olho é atravessado por uma agulha, que sintetiza nada mais que nossa própria visão sem estrupada por imagens de puro terror.

10 de fevereiro de 2011

Cinema - Redacted: Guerra Sem Cortes

Por: Lucas Sá

Redacted talvez seja o filme mais deslocado da filmografia de Brian de Palma. Tanto pela sua linguagem como também pela sua temática. Redacted é uma visão crua e direta sobre as carnificinas e problemáticas que o EUA tenta omitir para sua grande e imperialista nação, o povo norte-americano.

Brian de Palma que no início de sua carrera dirigiu filmes que tinha um grande teor de humor negro, mas que em suas vertentes se encontravam rastros e até discursos sobre a guerra do viatnã, como nos filmes, Saudações ( lançado aqui no Brasil pela Lume Filmes) e Hi, Mom!. De Palma nesses dois filmes discute de forma bem humorada questões traumáticas para os norte-americanos. Esses são filmes que não condizem com o que o diretor se impõe a fazer em seguida. De Palma deixa de lado as inquietudes da guerra e passa a fazer suspenses que envolvem, assassinatos, travestismo e traumas infantis. Seguindo mais um pouco adiante temos outra temática explorada por De Palma, os filmes de Gângsters. Esta é a vertente mais conhecida pelo grande público, entre estes filmes temos os imaculados: Scarface, Os Intocáveis e O Pagamento Final. Retornando ao seu antigo gênero, sendo desta vez mais verítico e menos sarcástico, Brian de Palma lança em 1989 seu filme propriamente dito de " guerra ", Pecados de Guerra.

Nesta linha artística dos filmes do diretor, já se tem uma visão dos campos explorados por Brian de Palma, e que podem ser divididos em três seguimentos temáticos: A Guerra, O Suspense, e os Gângsters. Mas foi em Pecados de Guerra que De Palma se apróxima de de seu último filme, Redacted: Guerra sem Cortes. Grande parte do roteiro e situações de Pecados de Guerra é implementado em Redacted, como a mudança de comportamento por parte dos soldados à medida em que estes estão longe de suas leis e de seus rasos aparatos sociais. A grande diferença entre ambos os filmes, é que Redacted é filmado de forma a se aproximar da real angústia da guerra. Fotografia, atores conhecidos e imagem perfeita... Estes recursos De Palma deixa totalmente de lado, com a intenção de se apegar da melhor forma aos sentimentos naturais. Logo ele que é fomoso por seu belos planos sensuais e por usar atores excepcionais, como: Al Pacino, Robert De Niro, Sean Penn, Tom Cruise... A lista é gigantesca. Essa opção de descartar atores já conhecidos pelo público é uma forma de o espectador não utilizar seu conhecimento cinematrográfico para assemelhar o ator com seus papéis anteriores, isso só iria diminuir a proposta realista de De Palma, fazendo com que o filme se moldasse a este suposto herói de guerra. Redacted não se foca em um ou outro personagem, logo, não se pode afirmar que tenha um protagonista. No filme todos tem os seus momentos, mas sempre guiados por um fio narrativo criado pelo cinegrafista amador. A câmera e o cinegrafista se fixam no lugar do roteiro. De Palma chega até a colocar o nome deste cinegrafista/soldado nos crétitos iniciais como diretor da obra.

Para quem está lendo e não viu o filme, deve está meio confuso o que escrevi. Acontece que Redacted é filmado como um documentário real, no estilo de filmes como, Cannibal Holocaust e A Bruxa de Blair. Como disse, De Palma opta por este recurso para realçar a veracidade das imagens, utilizando parte da idéia usada em seu suspense, Olhos de Serpente, a qual a trama gira em torno de solucionar um crime atráves de um vídeo caseiro gravado por câmeras de tv em um ringue de box. Mas Redacted não tende a usar isto como um forma de " estilo ". Na verdade por parte de De Palma ele usaria imagens reais da guerra, pegando vídeos da internet, reportagens e de noticiários, mas seus agentes acharam melhor não fazer desta forma, pois trariam sérios problemas na questão de direitos autorais além de poder receber ameaças terroristas. Estes impasses, fizeram com que De Palma optasse por uma forma de representação do que ele havia visto em tapes e vídeos, sendo estes, realmente verídicos. Logo, Redacted não é uma representação baseada totalmente na ficção, ela traz consigo acontecimento e situações que aconteceram, mas que não puderam tomar grande espaço na mídia por parte dos governos. Claro! ninguém quer suja a imagem de sua própria bandeira de sangue.