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1 de junho de 2011

Releitura da cena do filme: Les Amours Imaginaires



Por: Lucas Sá

Vídeo de realização do exercício de regravação de uma cena de um longa já existente da matéria de Introdução a Linguagem. A cena escolhida (clique aqui para vê-la) foi a do filme Amores Imaginários do diretor canadense Xavier Dolan, este é seu segundo longa, sendo um dos concorrentes da mostra um Certo Olhar no Festival de Cannes. A cena em questão é a transição de vários planos até o encontro dos três personagens da narrativa, Marie (Angélica Yanez), Francis (Andruz Vianna) e Nicolas (Daniel Reigada). Marie e Francis estão se arrumando e se perfumando para se encontrarem com Nicolas, ao qual os dois estão apaixonados, mesmo sendo “aparentemente” amigos um do outro. Os planos usados por Xavir Dolan são postos na tela como uma forma de adoração da imagem, sua estética é extremamente detalhista se sobrepondo a narrativa em muitas das cenas de suas obras. São as cores, movimentos, cabelos e roupas que criam o universo do diretor, sempre preocupado na materialidade da imagem, na sua beleza visual.

Seus planos são enquadrados quase sempre em linha reta na visão do espectador, tornando as cenas de certo modo chapadas e secas na tela, típico do cinema independente atual, ou no uso de ângulos laterais que evidenciem o movimento corporal dos atores. No caso de Amores Imaginários a trama é sempre regada por grandes músicas dos anos 70 com o slow motion, como na cena escolhida, o que evidência ainda mais essa predileção para com a forma e o movimento do corpo como elemento revelador de sentimentos na narrativa. A cena de Maria fumando um cigarro na rua e a fumaça saindo de sua boca ou do beijo desprezivo de Marie em Francis são exemplos sublimes sobre a expressão e a dinâmica das coisas como forma de detalhes que se tornam elementares no andamento da trama. As roupas e cores são grande fonte de inspiração para o diretor, que sendo jovem, 21 anos, se apega a materialidade estética para impor suas emoções. Em várias cenas do longa a câmera é encaminhada para um detalhe do figurino do ator, além de suas cores representarem o caráter do personagem no momento, ou seja, construção de personagens a partir de matéria externa aos seus sentimentos. Em seu primeiro filme, Eu Matei Minha Mãe, é evidente essa questão formal da imagem, mas de forma mais sutil e invisível, a câmera se torna mais crua e realista, o que em Amores Imaginários é totalmente abolido, pois estamos imersos em mundo fantásticos de amantes francês apaixonados com suas roupas e cigarros com cores vibrantes. Nada mais prematuro e infantil para um jovem diretor.

Nossa recriação se baseou nesses objetos e figurinos representativos, que são o foco da cena escolhida. A exacerbação e o exagero da estética nos deram possibilidades de mobilizar e reverter várias cenas e planos. Tivemos a liberdade de incluir inúmeros detalhes que na cena original não eram evidenciados, posso afirmar até mesmo que nossa recriação seja um ‘’exagero do exagero” da estética já impregnada pelo diretor. Abaixo cenas que foram incluídas e suas motivação de inserção:

1- Close no olho de Marie: Nesse plano foi utilizado o elemento da filmadora ao qual o foco evidência objetos de pequenas dimensões, dando a eles mais detalhes e contraste. Esse plano foi elabora para propor uma maior rigidez da beleza na preparação de um encontro. Ela, para alguns, chega a ser irritante a agonizante pela proximidade do rímel no olho da atriz.

2- Perfil do rosto de Marie fumando: Essa cena no original é uma das mais belas da sequência, mas como a filmadora que utilizamos (Handycam Samsung) não é boa para pegar detalhes mínimos nos incluímos esse perfil da atriz com a fumaça saindo de sua boca para compensar essa falta técnica da filmadora.

3- Plano das pernas e saltos de Marie: Implementada para criar uma melhor valorização da roupa como linguagem cinematográfica. A rua e o salto. Essa cena foi colocada também por uma questão pessoal do diretor (Lucas Sá) da cena.

4- Close do rosto de Marie beijando Francis: Filmada para evidenciar a questão do desprezo mútuo de ambos os personagens.

5- Nicolas fazendo o sinal de três com os dedos: Plano que inicia o espectador para o desenrolar lúdico dos planos seguintes. O “três” evidência que o encontro não é só de duas pessoas apenas, mas sim de uma tríade que configura um triângulo amoroso. Transpondo assim, o sinal de “paz e amor” de Francis nos planos anterior em uma questão numeral.

6- A arma de dedos: Faz continuidade a brincadeira das mãos como expressão dos sentimentos, além de ser uma forma “imaginária” de vingança de Francis para com o seu amor imaginário. É interessante que até então a cena é realista na forma de expor as ações, mas a partir desse momento a narrativa se torna surrealista e fantasiosa, se assemelhando fisicamente a letra da trilha, a música Bang Bang da cantora Dalida.

7- Marie se assustando com o tiro: Plano que tem a intenção de colocar os sentimentos de Marie em primeiro plano. Ela cria também um breve sentimento de ansiedade e suspense no espectador.

8- Close da mão de Nicolas com sangue: Incluída para tornar verdadeira a possibilidade do tiro imaginário de Francis.

9- Nicolas com olhar assustado para Francis: Evidenciar a surpresa e os sentimentos de Nicolas no momento após o tiro.

10- Francis em Contra-plongée: A câmera é colocada de baixo para cima na intenção de criar um sentimento de grandiosidade na figura do personagem Francis. Uma forma de orgulho e louvação por seu ato macabro.

A sequência foi filmada com equipamentos do campus CA (Centro de Artes) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Sendo utilizado na gravação equipamentos como tripé e a filmadora Handycam da Samsung em mídia MiniDV. As locações foram em uma pensão de estudantes, nas ruas de Pelotas e na Doceria Márcia Aquino, tendo uma duração de quatro dias de filmagens em dias descontínuos. O figurino foi uma parceria entre o Brechó Veste Bem e com roupas dos próprios atores. A cena foi editada nos softwares After Effects e Sony Vegas 10 por Lucas M. Fernandes.

FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO--------------------------------Lucas Sá
PRODUÇÃO--------Lucas Sá e Angélica Yanez
EDIÇÃO----------------------Lucas M. Fernandez
FIGURINO--------- Lucas Sá e AngélicA Yanez

ATORES
MARIE-----------------------Angélica Yanez
FRANCIS---------------------Andruz Vianna
NICOLAS---------------------Daniel Reigada

APOIO
Brechó Veste Bem
Doceria Márcia Aquino

15 de maio de 2011

Curta: UM RAMO (2007)


Por: Lucas Sá

Um Ramo é um curta-metragem de 2007 dirigido pelos diretores "parceiros" Marco Dutra e Juliana Rojas e chegou a ser selecionado e premiado nas mostra paralela do Festival de Cannes, a Semana da Crítica, ao qual recebeu o prêmio Découverte Kodak de melhor curta-metragem. Esse ano a colaboração mutua de Dutra e Rojas se apoia em um novo projeto, desta vez o longa Trabalho Cansa, que lhes proporcionaram novamente a ida em Cannes, concorrendo na mostra Um Certo Olhar (Un Cert Regard) que revela diretores mais experimentais em sua linguagem. O filme já foi exibido na mostra, se não me engano na sexta-feira, e tiveram no fim da sessão aplausos, o que é uma honra vinda dos espectadores carnívoros de Cannes, os críticos! Vejo essas mostras paralelas de Cannes como uma escada de reconhecimento, onde cada vez que o realizador se enquadra em uma certa mostra ele se aproxima de sua "garantia" na seleção para a almejada Palma de Ouro. Foi assim com Apichatpong Weerasethakul, Xavier Dolan e Michael Haneke.

Em Um Ramo, os diretores nos guiam por uma família de classe média e seu cotidiano. Algo bem típico do cinema nacional, mas a grande diferença em sua forma fílmica é a implementação de um elemento quase esquecido pelo nosso cinema, salvo alguns filmes recentes como Estômago e Nina, que no caso é o mistério. A construção da personagem central é simplista e observatório, nem câmera e a edição interferem de forma significativa no tom realista que permeia durante todo o curta. Clarisse em seu banheiro começa a perceber diferença em seu corpo, uma folha verde sai de seu pulso, isso não é normal, mas de início não se entrega a essa modificação. Essa deformação corporal cresce aceleradamente, Clarisse se desespera, mas mantém a calma, o seu comportamento civilizado. Um ramo passa a se alojar em seu corpo, e é a partir desse terreno que Dutra e Rojas unem o realismo do cinema nacional com o fantástico e o irracional. Esse elemento típico de filmes de horror, em Um Ramo, se coloca como algo natural e aceitável, algo real. E o que fixa essa idéia de realismo em um meio que flerta com os filmes B/trash é justamente a montagem e a forma de filmagem, já comentados, mas além desses dois elementos a atuação do elenco é outro fator que ganha força nessa ilusão do real. Os atores Helena Albergaria e Marat Descartes atuam com simplicidade sem o abuso de técnicas teatrais, em menos de vinte minutos mostram-se excelentes atores, parceria que deu certo, já que ambos são novamente os protagonista do novo filme da dupla de diretores, Trabalho Cansa.

Clarisse está se degradando racionalmente e fisicamente por folhas, plantas e raízes. Seu corpo se relacionando com a natureza da forma mais agressiva possível, seu relacionamento com o homem em cada plano se torna mais difícil e distante, já com os animais e o verde ela se torna atraída . Em várias cenas minimalistas pode ser percebida essa interação homem-natureza, como nos primeiros minutos onde Clarisse pega um pássaro que entra pela janela do quarto de seu filho e o joga pela janela, a sua atenção para uma notícia de jornal de uma baleia encalhada em uma praia, uma mulher chorando enquanto corta uma cebola, e a sua preocupação para com o peixe do filho. O peixe é um caso especial no filme, nos planos dá a entender que o peixe do filho se jogou do aquário e morreu. Assim, Clarisse vai até uma loja especializada e compra um peixe parecido com o anterior, e enquanto come com o seu marido fala, "Será que ele vai perceber?". Mais adiante o seu filho começa a bater no vidro do aquário e Clarisse arrogantemente lhe diz para parar de bater e não dá comida para o peixe se não ele morre, a câmera nos revela ainda que este aquário está mal arejado e cheio de musgos e limo, cheio de VERDE. De alguma forma isso afeta subjetivamente Clarisse, ou seja, ela se complementa com esse universo orgânico da natureza, esquecendo por vezes de seu controle social padrão.

Clarisse e sua paranóia egoísta. Seu corpo sangra, faixas brancas de ataduras e algodões são enrolados em seu corpo, cada vez mais suas roupas cobrem sua pele, de camisetas passa a usar blusões e moletons esverdeados que escondem suas feridas e seus ramos. Essa perturbação física que interage com o psicológico ganha referências em filmes como Possuídos (Bug) de William Friedkin e Cisne Negro de Darren Aronofsky. Em Possuídos dois personagens, um homem e uma mulher, se martirizam por acreditarem que seu corpo está sendo invadido por insetos de todas as espécies, em uma viagem ao esquizofrenismo e ao bizarro. Talvez se Um Ramo se alongasse e se tornasse um "filme" teríamos chegado a este estágio, mas não, ele se contenta em sua proposta. Clarisse volta ao banheiro de início, dessa vez sem cobrir seu corpo, nua, debaixo do chuveiro ela "rega" seus ramos como um quadro, aceitando sua diferença, ela vira seu rosto e olha fixamente para a câmera, para nós, se perguntando "o que está acontecendo?". Um Ramo, para mim, ainda continua uma incógnita. (?)

1 de fevereiro de 2011

Filmes que vimos essa semana que você deveria ver, ou NÃO!

Por: Lucas Sá, Luca Abreu e Airton Rener


Biutiful - 2010 (Nota 8,5)
Dir: Alejandro González Iñárritu
Alejandro faz sua melhor obra. Desta vez, assina roteiro e direção deste ótimo drama. Javier Bardem faz sua melhor atuação, não é à toa que ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes. Alejandro, em Biutiful, amenizou o intrelaçamento de histórias, mas não chega à excluí-la, só a utiliza de formas menos visível e direta. Há também um forte apego a cultura espírita do oriente, e é neste quesito que Alejandro se reinventa, misturando realidade com cenas envolvendo o "álem''. Passagens que dão uma tensão maior ao drama real e que lembram filmes B de terror japoneses.




Eu Matei Minha Mãe - 2009 ( Nota 7,0)
Dir: Xavier Dolan
Vi o filme pela segunda vez. Agora consigo entender as intenções de Xavier Dolan. Eu o via apenas como um garoto tentando se dar bem com as imagens esteticamente perfeitas, mas me enganei. Vi o filme tentando eliminar está modernidade persistente em seus filmes, e o que captei foi um ótimo drama familiar. A imagem de Dolan nos remete logo a juventude atual, e isto gera um certo receio ao que veremos ao longo da projeção. É esta certa "imagem" que Dolan tenta buscar que me incomoda, mas que no fundo é verdadeira. Ótimas atuações, e igualmente como Amores Imaginários, uma seletiva trilha sonora.



Fale com Ela - 2002
(Nota 9,0)
Dir: Pedro Almodóvar
Foi o primeiro filme que assisti do tão consagrado, Pedro Almodovar, e posso dizer que foi uma experiência incrível. Com um toque de erotismo e uma fotografia diferenciada, Fale com ela, apresenta uma proposta diferente dos filmes do mesmo gênero; mostrar o lado sensível e feminino do sexo masculino. Isso é demonstrado em algumas atitudes e na amizade de dois rapazes que se conhecem no hospital onde suas amadas coincidentemente, estão em coma. Enquanto um deles cuida e fala naturalmente com sua amada como se estivesse em sua total consciência, o outro não leva isso muito a sério, desacreditando na recuperação de sua mulher. Fale com ela não é um filme para ser contato, é para ser assistido e reassistido.

Salt - 2010 (Nota 4,0)
Dir: Phillip Noyce
De começo já dá para perceber que SALT não tem nenhuma proposta inovadora. Para começar o personagem principal seria Tom Cruise que, assim como Jackie Chan e Bruce Willis, são os atores mais usados e mais manjados em filmes do gênero. O papel principal acabou ficando com Angelina Jolie, que para se dizer uma "verdadeira" atriz, dispensou o uso de dublês nas cenas de ação. Nisso, até que ela se saiu bem, mas falando de expressões e movimentos, que é o fundamental para um ator, Angelina Jolie não se comporta de forma adequada (como sempre). Cenas como "pulando em cima de caminhões", "correndo no meio da multidão", "todos atirando contra um" estão em toda a parte, fazendo de Salt, uma "suruba" de vários clássicos do gênero. Salt é só mais um filme de ação.





Hanc
ock - 2008 (Nota 6,5)
Dir: Peter Berg
Putz, que filminho divertido! Assisti ele sem esperar muita coisa e no final das contas o Will Smith conseguiu salvar alguma coisa do longa. Will tem um talento inato para interpretar personagens decadentes ou desgraçados (literalmente).








A Ilha - 2005
(Nota 8,0)
Dir: Michael Bay
Ahh esse filme achei muito bom. Uma história legal com uma mensagem interessante no decorrer do filme. A Scarlett Johansson, creio eu, não foi uma escolha muito boa para esse filme... Às vezes parecia muito forçado. E ela é uma distração à mais para o incauto telespectador que acaba se desviando nas curvas...kkkkkk







Espelho do Medo - 2008
(Nota 7,0)
Dir: Alexandre Ala
Cara, esse filme tem umas sacadas muito boas. Mas Kiefer Sutherland no papel principal achei um exagero...deviam ter colocado ele como secundário, sei lá! Mas o filme diverte um pouco. SPOILER: O Sutherland's way of exorcism é muito doido, me senti jogando PS2 kkkkkk. O final do filme é muito bem sacado.




16 de janeiro de 2011

Cinema - Amores Imaginários

Por: Lucas SáO jovem e comentado diretor Xavier Dolan está arrancado inúmeros prêmios em festivais internacionais. Com apenas 21 anos ele escreveu, produziu, dirigiu e protagonisou seus dois filmes, Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários. Em ambos a modernidade e juventude aparecem com efervecência, fato este que dividiu a crítica a respeito de suas obras. Xavier foi descoberto e levado ao pedestal no festival de Cannes na mostra Quinzena dos Realizadores, com seu primeiro e infantil longa, Eu Matei Minha Mãe. Um ano depois, com 20 anos, Xavier faz seu novo e novamente moderno filme, Amores Imaginários.

Em Amores Imaginários o roteiro está centrado em um triângulo amoroso envolvendo Francis (Xavier Dolan), Nicolas (Niels Schneider) e Marie (Monia Chokri). Fancis e Marie são amigos íntimos que acabam se apaixonando pelo mesmo homem, Nicolas. Esse caso de amor proposto por Dolan ao longo do filme se torna bobo, os personangens não tem motivos sinceros e acaba ficando difícil levar esse suposto "amor" a sério. Muitos dizem que filme se encaixa em uma paródia ao amor juvenil, mas eu vejo isso como pretesto para explorar imagens e cenas, ou seja, o roteiro não importa (parcialmente, é claro), ele é usado mais para favorecer certas cenas. O que realmente é importante é a estética perfeita. O visual.
Dolan impõem ao filme uma estética meticulosamente cuidada e pensada, em uma fusão de anos 50 com o hoje. Essa é a época de Xavier Dolan, o hoje nostálgico. Esse cuidado primordioso com cada quadro, cada cor, deixam o filme falso em cada instante. Isso não é ruim para Amores Imaginários. Se caso está estética não estivesse presente, o filme seria mais um entre outros. O que salva Dolan é a imagem, as cores e sobretudo o figurino! Os 3 personagens centrais podem ser resumidos pelas roupas que vestem... Um vestido vintage azul, um vestido dos anos 50 salmão com um laço na cintura, uma luva com estampa de ossos, um óculos de coração semelhante ao usado no filme Lolita de Stanley Kubrick. Dolan torna Amores Imaginários um filme materialista ao extremo, que se apega mais ao objeto do que ao enredo.

Na intenção de porpor ao filme mais veracidade ao longo da exibição, Dolan opta em utilizar trechos de entrevistas documentadas sobre pessoas e seus relacionamentos amorosos desatrosos, mas acaba pecando na medida em que usa vários zooms propositalmente ,para dar a intenção de ser algo documentado, e assim o que era para parecer real se torna plástico novamente. Ou seja, ele assume novamente ser um diretor que se preocupa com o visual e tenta transforma isso em uma experiência para o espectador, mesmo que por vezes se torne saturado e duvidoso.

Essa experiência que se encontra em Amores Imaginários é sua melhor qualidade. A fusão de uma ótima trilha sonora + câmera lenta + movimentos corporais + roupas estilosas, tornam determinadas cenas hipnóticas com o seu poder viusal, mesmo que a maioria dos elementos dessas combinações sejam referências de outros filmes. Como a música Bang Bang de Dalila usada em Kill Bill do Tarantino, mas cantanda em inglês por Nancy Sinatra, ou a câmera lenta que nos remete imediatamente ao estilo de Wong Kar Wai. Nesse sentido, Dolan se aproxima de certo modo ao já citado diretor, Quentin Tarantino. Ambos, Dolan e Tarantino, utilizam referências em massa a outras obras.

Falando em trilha sonora, Dolan é muito inteligente nas suas escolhas. Utiliza músicas antigas como a famosa Bang Bang, e músicas atuais, como da banda Vive La Fête, que estão na trilha dos seus dois filmes. Mas o melhor uso da combinação som + imagem + câmera lenta( que não pode faltar, já que tudo no filme é motivo para usá-la) está na cena em que Marie foge do campo ao olhar Nicolas e Fancis se divertindo debiloidementes sem ela. Ela sai com sua mala e seus saltos vermelhos se arastando pela folhagem seca dos campos franceses, e é ai que a música , Keep The Streets Empty For Me, da banda Fever Ray começa. Uma cena marcante. A utilização dessa fórmula me faz lembra o filme Direito de Amar, de Tom Ford. Eles dois usufruem praticamente da mesma estética em cenas de maior apelo sentimental.

A atuação dos atores é baseada nos movimentos corporais, e melhor usada nas cenas em slow motion, que impõem o sentimento dos personagens. Um exemplo disso pode ser emcontrado na cena em que Francis e Marie vão se encontrar com Nicolas em uma lanchonete. Francis entra primeiro e joga um sorriso para Nicolas, em seguida Marie entra, Francis a olha e o seu sorriso se desmancha em algo sínico, demonstrando seu desprezo por Marie. A revelação maior do filme, está na atuação e na beleza da atriz que interpreta Marie, Monia Chokri. Sua personagem carrega a maior parte do humor negro refinado do filme, e também protagoniza a mais bela cena do longa, a que Marie foge pelo campo. Além do trio, se tem a participação do ator francês Louis Garrel na cena final, famoso por seu papel em Os Sonhadores, de Bernado Bertolucci. Aproveitando a intimidade, Xavier, já contratou Louis Garrel para seu novo filme, intitulado Laurence Anyways. (Correção: ele não vai mais participar).

Com Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários, Xavier Dolan nos mostra que sabe fazer ótimas cenas, unindo os elementos da narrativa de forma singular, álem de um singelo humor negro. Mas o núcleo de seus roteiros partem sempre de algo premetaturo e infantil , e que tentam ao máximo parecer "cool", isso acaba gerando um certo receio e banalização sob suas obras, esse é o seu maior erro. O que falta para Xavier Dolan é apenas o amadurecimento.

26 de dezembro de 2010

Filmes que vimos essa semana que você deveria ver, ou NÃO!

Por: Lucas Sá, Luca Abreu e Airton Rener




Tron: O Legado - 2010 (Nota 5,0)
Dir: Joseph Kosinski
A Disney moderna com luzes neon... Parece ser interessante a premissa, mas não passa de mais uma história repetitiva com um visual inovador. Refilmagem do original de 1982 que tenta segurar o espectador pelas luzes azuis e 3d fajuto e dispensável, ao longo de duas horas. O filme cansa depois de uns 40 minutos. Agora não posso dizer que Tron não tenha nenhum merito, a parte mais aproveitada se encontra na ótima trilha sonora, sendo algumas das músicas compostas pela dupla Daft Punk, a banda ainda aparece em uma das cenas do longa, mas como sempre mal aproveitados.


Alila - 2003 (Nota 5,0)
Dir: Amos Gitai
Comprei o dvd levado pela beleza da capa. Alila é um filme que tenta se aproximar o mais fiel possível da realidade, utilizando de longos planos sem cortes de câmera que atravessam paredes e janelas, esse fato faz com que o filme tenha um ritmo arrastado e que por vezes se torna cansativo. O longa se firma em problemas de pessoas comuns em um país conturbado pela política, religião e guerra... estamos falando de Israel. O que chama atenção não é a história, mas sim a atuação dos atores e a oportunidade de conhecer uma cultura que por vezes é considerada complexa.


Amores Imaginários - 2010 (Nota 6,0)
Dir: Xavier Dolan
Dirigido pelo jovem Xavier Dolan, o filme se encaixa em algo como: Modernidade Juvenil + Anos 50 + Câmera Lenta copiada do Wonk Kar-Wai. "Amores Imaginários" pode até agradar alguns jovens cools que tentam se encaixar em um padrão artificial de intelectualidade, mas não passa de uma visão baixa e batida sobre o amor a três. Destaco alguns pontos positivos para certas cenas e para a bela trilha sonora. Mas o filme irrita. Enfim, vou fazer uma resenha maior sobre o filme no meu próximo post.





A Branca de Neve e Os Seta anões - 1937
(Nota 8,0)
Dir: William Cottrell, David Hand ...
Filme muito bom! A bruxa mete medo bagarai, os anões salvam o dia, entretanto o príncipe parece uma bichinha AHAHAHAHA EU VOOOOU EU VOOOU EU VOU EU VOU PRA CASA AGORA EU VOU PARARA TI BOM PARARA TI BUM!