8 de julho de 2010

Cinema - Martyrs (2008)

Por: Lucas Sá

Acabei de ver esse filme e tenho certeza que já é um clássico do cinema, não só dos filmes de terror mas de modo em geral. Ele tem o que eu acho de maior importância no cinema; levar o estado do espectador a um outro nível, ou seja, uma interferência no sentimento e no psicilógico. Algo que consiga atingir isso já pode ser considerado plausível, afinal esse é o objetivo da arte.

Não quero entrar em detalhes sobre o roteiro (que é muito bom), estou escrevendo sobre o filme como uma dica e não como crítica ou análise.

Martyrs é um filme francês de 2008 do diretor Pascal Laugier (ele dirigiu o filme "House of Voices" aqui lançado em DVD com o nome de "A Profecia dos anjos" ) Ele dirige e escreve o filme de forma que nos conduz a um filme dividido em etapas, e em cada etapa nos transmite um "sentimento" diferente. A cada momento evolui como uma forma de metamorfose, sendo que de larva ele se transforma em casulo e no fim em borboleta, e é no estado de borboleta que percebemos o todo do filme, a sua magnitude.

As imagens são tão poderosas que conseguimos encontrar a beleza na feiura, e de certa forma isso acaba emocionando (e muito) a quem vê. O filme ainda conta com a ajuda do diretor Karim Hussain (diretor de "Subconscious Cruelty") , logo já se percebe o grau de violência e experimentação que o filme tem. O que mais me deixou feliz no filme foi o cuidado de fazer com que se sinta o personagem, não de forma passiva como na maioria das películas de terror mas sim de forma emocional/real e até pessoal. No final das contas o filme trata sobre a crise existencial com relação a morte, e os olhos...

Quando o filme acabou eu imediatamente pensei : " Esse era um filme que o Richard Kelly gostaria de ter feito, e eu também ''.

6 de julho de 2010

Cinema - Europa (1991)

Por: Lucas Sá

"Europa" é o terceiro filme do diretor dinamarquês Lars Von Trier, foi com ele que seu nome praticamente se instalou como parasita na língua dos cinéfilos. O filme ganhou o prêmio do Júri no festival de Cannes e Melhor filme no Festival de Sitges. Ao contrário de seus futuros filmes que implementavam total desapego às técnicas de filmagem e efeitos este é o que mais se utiliza das mesmas.

O jovem americano Leopold Kessler vai para a Alemenha no ano de 1945, logo no fim da II guerra, lá ele reencontra o seu tio e passa a trabalha na empresa de trens Zentropa. Nesse meio ele passa a vivenciar em uma Alemanha destruída e ainda com resistências nazistas, como os grupos terroristas chamados de "Lobisomens" com quem ele acaba se envolvendo inconscientemente.

O telespectador é convidado a adentrar no mundo da "Europa" pós II guerra. Logo no início da película um narrador nos conduz por trilhos de trens em movimento em uma contagem de 1 a 10 em uma tentativa de nos hipnotizar com suas palavras. Isso ocorre em vários momentos, e assim ele vai nos conduz para uma "Europa" arrasada e angustiada, esse sentimento nos é passado pela fotografia em preto e branco. Trier utiliza a interação do preto/branco com as cores em algumas cenas implementando um efeito de contraste com a realidade que os personagens estão inseridos. Uma cena em particular em que o dono da Zentropa se mata com uma navalha em uma banheira é o melhor exemplo dessa técnica.

Os detalhes de cena do filme são de impressionar. Essa característica foi sendo deixada de lado por Lars Von Trier criando assim o movimento Dogma 95, onde os realizadores adeptos não poderiam usar iluminação artificial, câmera conduzida por equipamentos, entre outras regras. Os seus filmes "Os idiotas" e "Dançando no escuro" são introduzidos nas regras do Dogma 95, que em suas primeiras cenas já podemos perceber as diferenças na utilização de equipamentos para deixar o filme "Bonito" aos olhos.

"Europa" foi relançado recentemente pela produtora de dvds Platina Filmes, agradeço por terem lançado esse ótimo filme depois de tantos anos...

" Sabe, dizem que o lobisomem só é lobisomem à noite.
A luz do dia é um ser humano"

Música - Iced Earth - Horror Show(2001)

Por: LucasAbreu

Estava escutando umas músicas hoje e me lembrei deste álbum, que foi o primeiro do IE que escutei. Me lembro que quando acabei a audição do cd eu havia ficado totalmente impressionado com a qualidade e originalidade dos riffs de Mr. Schaffer. Mas sim, mais um álbum de heavy metal Lucas?? Por quê? Ah, esse daqui como o próprio nome sugere dá uma pista do motivo pelo qual eu optei dissertar sobre ele.

"Horror Show" é um álbum que é inspirado em filmes de terror e livros/histórias (como a de Jack, o estripador), o que o torna muito acerca da proposta do blog. Ao decorrer do álbum a dupla dinâmica Schaffer-Barlow apresenta composições muito interessantes. A primeira faixa do álbum "Wolf" é baseada no filme "The Wolfman(1941)" que ganhou um remake não faz muito tempo. Mas o legal é que eles pegaram partes dos filmes e encaixaram perfeitamente na letra isso acontece na já citada "Wolf"durante o refrão:

(Chorus)
Even a man who's pure
And says his prayers by night
(He won't hear your prayers)
Man become a wolf
When the wolf bane blooms,
And the autumn moon is bright
(There's a full moon tonight)
Man may become a wolf.

Outra faixa muito interessante é a "Jekyll & Hyde". Pois no decorrer da música acontece um diálogo (sim, é isso mesmo!) entre os personagens, de forma incrível, dando a música o clima agônico necessário presente na letra. "Dracula" e Frankstein" também são composições muito boas juntamente com a super rápida "Jack". "Im-Ho-Tep" foi outra música que gostei muito, o riff que a guitarra faz é muito bom, dando aquele aspecto "Egito Antigo" à música. A seguir o track list completo e detalhado do "Horror Show" de forma detalhada com o filme ou história que serviram de inspiração para Schaffer e Barlow:
#Track List

1. "Wolf" (inspirada no filme The Wolf Man) Jon Schaffer 5:20
2. "Damien" (inspirada na série de filmes The Omen) Schaffer 9:12
3. "Jack" (inspirada em Jack o Estripador) Matthew Barlow 4:14
4. "Ghost of Freedom" (inspirada no filme O Patriota) Barlow, Schaffer 5:12
5. "Im-Ho-Tep (Pharaoh's Curse)" (inspirada no filme A Múmia) Barlow 4:45
6. "Jekyll & Hyde" (insp. no livro The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) Barlow
4:39
7. "Dragon's Child" (inspirada no filme Creature from the Black Lagoon) Barlow 4:21
8. "Transylvania" (Iron Maiden cover) (instrumental) 4:30
9. "Frankenstein" (inspirada no livro Frankenstein) Schaffer 3:50
10. "Dracula" (inspirada no livro Dracula) Schaffer 5:54
11. "The Phantom Opera Ghost" (inspirada na novela O Fantasma da Ópera) Schaffer 8:41


Em suma, esse álbum ainda continua sendo um dos meus preferidos. Até porque conta com a participação do super baixista Steve DiGiorgio pilotando os graves da banda. Apresenta momentos de peso e momentos mais cadenciados como ocorre em "Dracula". Então podem escutar sem medo, recomendo principalmente à quem gosta de filmes de terror e experimentalismo musical. A seguir os vídeos das duas que mais chamaram a minha atenção, "Wolf" ao vivo e "Jekyll & Hyde" somente a música. Até a próxima!


5 de julho de 2010

Cinema - O Homem de Palha

Por: Lucas Sá

O Homem de Palha ao meu ver é um dos melhores filmes já feitos desde o início da invenção do cinematógrafo. O filme é uma mixagem de Horror, Romantismo, Erotismo e Musical! (isso MUSICAL! ) que funciona do princípio ao fim.

Agora eu vou contar a minha historinha com o filme. Como de costume, quase todo santo dia eu ia na locadora de minha amiga (Thays Andrade) comprar filmes, eles vendiam filmes originais por 5 ou 3 reais (impressionante né ?) Eu sempre ficava de lá pra cá olhando os dvds nas prateleiras para escolher um para eu comprar. O dinheiro era (e continua sendo) sempre sofrido para conseguir comprar esses filmes, eu saía vasculhando a casa inteira juntando moedas de 10, 25, 50 centavos até conseguir pelo menos uns 3 reais. Enfim, nesse dia eu não estava só, eu estava com...minha mãe! "A Senhora do Dinheiro" então eu podia escolher não apenas um filme, mas dois filmes!
Desde sempre eu olhava o dvd de "O Homem de Palha" e nunca me agradava, a capa da edição brasileira era tão trash que eu ficava com medo de comprar e me arrepender, mas como eu tinha um bônus de dois dvds nesse dia eu resolvi dar uma chance ao filme, e para quebrar minha cara de novo eu acabei vendo o meu filme favorito até o momento, assim como eu fiz com o "Thriller - Um Filme Cruel". Vejam esse filme!

Um detetive ex-padre vai até uma aldeia isolada para investigar o desaparecimento de uma garota local, lá ele descobre muito mais do que deveria saber e acaba se deparando com as loucuras e crenças desse povo, que vai desde sua educação escolar até rituais com relação a cultura Grega.

O filme de início não nos revela nada de surpreendente. Começa de forma honesta nos guiando de forma padronizada, mas o roteiro se transforma logo quando entra em um bar. Lá tem vários nativos que começam a cantar e a provocar por meio de palavras o detetive, é também onde somos apresentados à bela filha do proprietário do bar (interpretada pela Ingrid Pitt, uma das musas da produtora Hammer). Logo em seguida ela protagoniza a cena mais bonita e interessante do filme, onde ela dança e canta nua ao lado do quarto que divide ela do detive (padre), numa tentativa de seduzir o visitante virgem. A música cantada por ela é a incrível '' Willow's Song ''.
O filme nasceu da insatisfação do diretor Robin Hardy com os filmes da produtora Hammer que no início faziam bons filmes (vários clássicos do terror) mas que com o passar dos anos foi se fixando na mesmice. Ele resolve então inovar o gênero com seu filme de estréia, deixando de lado o teatro e se dedicando totalmente ao cinema, criando assim uma das obras inglesas mais importantes dos anos 70. E ele já está dirigindo uma continuação de sua obra, quase 40 anos depois, o nome desse novo filme é " The Wicker Tree", já tem até algumas imagens na internet do set.

Só pra deixar claro uma coisa, fizeram em 2006 uma refilmagem do filme com Nicolas Cage, o nome que colocaram aqui foi "O Sacrifício". Eu peço de joelhos que não vejam essa refilmagem, é absolutamente ridícula comparada a original de 1973.
Uma curiosidade que eu queria mencionar também é um cd que o Iron Maiden fez baseado no filme com o título de " The Wicker Man" (o mesmo nome do filme), enfim quem pode falar melhor desse cd é o Lucas Abreu.


Por: Lucas Abreu

Aproveitando a deixa de Lucas Sá, vou falar brevemente da música do Iron Maiden. Na verdade, não foi um álbum como dito pelo amigo aí em cima. É uma música do álbum "Brave New World(2000)" que trata do filme já citado. Esse álbum também marca a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao line-up da banda. "The Wicker Man" é sem dúvida o ponto alto deste álbum! Conta com um solo de guitarra do Adrian Smith de fazer chorar. E ela tem clip também, apesar dos efeitos meia-boca, é um dos clips da Dama de Ferro que eu mais acho legal! Tem até o espantalho, boneco gigante ou seja lá o que for que aparece no filme! Não só a música, mas o álbum também vale muuuuuuito à pena dar uma conferida, fiquem aí com o clip de "The Wicker Man"!

P.S.: Fico me perguntando porque cargas d'água o Bruce fica balançando aquele balão(?) enquanto canta...