Com apenas um cd lançado, e talvez o último, o projeto solo chamado Fever Ray é grandioso. Composto por Karin Dreijer, uma dos dois integrantes da famosa banda sueca eletrônica The Knife. Karin Dreijer e seu irmão, Olof Dreijer, que desde 2001 estiveram juntos na banda The Knife, resolveram em 2008 se afastarem por um tempo da sua já prestigiada banda para ambos se envolverem em projetos paralelos em outros campos diversos. Karin Dreijer então resolve lançar Fever Ray, que é misto de suas experiências pessoais com alusão ao um mundo místico criado esteticamente.
"Febre do Raio", está é a tradução mais semelhante para o nome que comporta essa vivência solo da cantora Karin Dreijer. Este nome sintetiza de forma precisa a proposta dessa nova fase musical da artista. As melodias do álbum nos remetem a algo da natureza, retirado das entranhas das florestas, se afastando do high tecno e da modernidade sinfônica de seus trabalhos anteriores. Em Fever Ray, as nossas origens se revelam de forma sonora, nos levando a acreditar que a música feita tem um estado sinestésico. O uso de sons ambientes e de vozes graves ao longo das faixas é um exemplo deste efeito sinestésico que persiste durante todo o cd. Essas vozes graves se aproximam de rituais indígenas, reforçando assim, o tom naturalista e tribal da obra. Isso é percebido de forma ampla na primeira faixa do cd, If I Had A Heart. Outra vertente que se percebe durante a projeção é a fixação de uma transportação do ouvinte a um ambiente dark e por vezes depressivo, onde as memórias e os dramas são relembrados. Na faixa, Keep The Streets Empty For Me, que sem muitos esforços se revela a melhor do álbum em sua intenção, a de sinestesia, se mostra bastante ligada a essa questão das lembranças e memórias, como no trecho:
" Memórias vêm quando são antigas Eu nunca sou a primeira a saber Seguindo a correnteza que leva ao norte Onde pessoas como nós flutuam "
" Há lugar em meu colo Para hematomas, glúteos e palmas da mão Eu jamais desaparecerei Estarei aqui para sempre "
As letras compostas pela própria Karin Dreijer têm um comportamento intimista, exprimindo fatos e lugares momentâneos que dificultam o raciocínio convencional do ouvinte. Neste ponto, as composições de Fever Ray se revelam de certa forma surrealistas, intensificando assim, o estado de imersão. As imagens imaginárias são também características intensas nas letras. Karin Dreijer utiliza lugares e palavras constantes que nos remete ao clima frio e solitário dos campos da Suécia, país natal da cantora. Palavras como; neve, gelo, água, musgo, mar e floresta, são usadas praticamente em todas as faixas. Esses elementos naturais fazem parte deste clima sueco, o que afeta de forma impreterível as intenções e composições de Fever Ray. As influências do álbum vão desde as músicas indígenas e passa até mesmo pelo cinema. Essa inspiração cinematográfica é visível principalmente no caráter surreal das músicas, onde em entrevistas, Karin falou que uma de suas influências primárias são os filmes do diretor David Lynch. Nada mais coerente do que tal afirmação, já que Lynch e seus filmes são intimamente ligados a um universo paralelo e esquizofrênico que se mantêm sempre de forma complexa por meio de imagens e cenas desconexas. Outra e inusitada influência revelada é a série televisiva Miami Vice, onde Karin Dreijer afirmou ser uma forma de " referência cultural ". A banda Fugazi e o cantor Mike Patton também serviram de inspiração para o álbum.
O som não é o único a ser explorado em Fever Ray, logo o VISUAL é um elemento de impacto e que acaba se tornando inseparável do conjunto complexo formado por Karin Dreijer. O artista, Andreas Nilsson, que já trabalhou com MGMT e Moby, esteve junto com a cantora desde sua banda, The Knife, dirigindo vários clipes. Mas em Fever Ray, Andreas Nilsson e Karin, se uniram para formular uma certa imagem incógnita da pessoa por trás das vozes da '' floresta ''. Assim, ambos criaram uma figura que não se apresenta de forma real, optando pelo uso de máscaras rústicas, desenhos corporais e pele pálida. Nos clipes das faixas When I Grow Up e If I Had A Heart esses apetrexos são usados em determinadas cenas, afirmando a temática indígena e a aproximação com os elementos naturais, água, neve, vento e madeira. Os vídeos musicais não são apenas para promover o produto, mas são uma forma de complementação da música, fazendo com que as imagens que estão presentes nas letras sejam materializadas. Assim, Fever Ray se torna um conjunto audiovisual, onde o áudio e o visual se completam por si, para criar um universo paralelo. Neste sentido, Karin Dreijer, não se manifesta como a cantora ou porta-voz das músicas, mas como um corpo performático que transporta essas melodias e vozes, anulando a imagem de um artista protagonista.
A respeito da nova sonoridade e letras, Fever Ray se afasta quase que por completo de The Knife (a nao ser por alguns timbres de voz). Os toques eletrônicos usadas nas composições das músicas de The Knife são amenizados no novo projeto, afirmando a busca pela neutralidade sonora que Karin Dreijer desejava. Mas ainda assim, restam vestígios da influência eletrônica nas músicas de Fever Ray, que podem ser percebidas em quase todas as faixas, mas sempre de forma suave, como em: Dry And Dusty e Seven. Essa distância em relação a banda The Knife pode ser percebida também no vocal. A voz de Karin Dreijer durante as canções é aguda e tremula, se revelando quase como ruídos fanhos, sendo que por vezes é alternada por passagens em que sua voz é distorcida digitalmente, se tornando grave e máscula. Nas faixas, Concrete Walls e If I Had A Heart, essa voz máscula e extremamente estranha atua como elemento para manter um tom obscuro e denso.
Essa irreverência artística fez com que Fever Ray fosse eleita pelo site Dummymag.com a artista do ano, em 2009, e no ano seguinte ganhou um prêmio pelo álbum na celebração do P3 Guld, uma premiação da rádio pública sueca. Mas o fato que foi deveras interessante no P3 Guld é que Fever Ray (Karin Dreijer) recebeu o prêmio de modo, digamos, bizarro. Ela estava com um véu vermelho sob o rosto, mas quando foi agradecer ao o público pelo o prêmio ela o levantou... E o que se viu foi um ser estranho que parece ter saído de algum filme B alienígena. Isso afirma a posição de Karin Dreijer sob o artista em Fever Ray, não é o cantor ou o artista o centro do projeto, e sim a música! Não foi Karin que recebeu o prêmio, mas sim todo o universo experimental de FEVER RAY!
O veterano Elton John, admirador assumido de Lady Gaga, convido-a para recentemente para cantar junto com ele uma das músicas da trilha da animação "Gnomeo & Juliet". A música composta pelo próprio cantor se chama "Hello, Hello" e será tema do romance dos protagonistas, ou seja, dois gnomos de jardim.
"Gnomeo & Juliet" é a nova produção da Disney que conta como compositores Elton John e James Newton Howard. Elton John já havia trabalhado como compositor em outras produções da Disney, como "O Rei Leão" e "E Caminha Para El dorado". Lady Gaga também já participou da trilha sonora de alguns filmes, mas o único que obteve uma música inédita foi o filme "Delírios de Consumo de Becky Bloom" com a viciante "Fashion".
Em "Gnomeo & Juliet" o clássico de Shakespeare vira uma história de amor entre dois gnomos de jardins inimigos que se apaixonam. Detalhe, eles só falam e se movem quando nenhum humano está por perto. A dublagem dos personagem conta com atores e músicos de consagrados, como: James McAvoy, Emily Blunt, Michael Caine, Maggie Smith, Jason Statham, Patrick Stewart e nada menos que Ozzy Osbourne! (hã?!)
O filme está previsto para chegar aos cinemas no dia 11 de Fevereiro de 2010 e será dirigido por Kelly Asbury, o mesmo de "Sherk 2" e "Spirit - O Corcel Indomável".
Estava escutando umas músicas hoje e me lembrei deste álbum, que foi o primeiro do IE que escutei. Me lembro que quando acabei a audição do cd eu havia ficado totalmente impressionado com a qualidade e originalidade dos riffs de Mr. Schaffer. Mas sim, mais um álbum de heavy metal Lucas?? Por quê? Ah, esse daqui como o próprio nome sugere dá uma pista do motivo pelo qual eu optei dissertar sobre ele.
"Horror Show" é um álbum que é inspirado em filmes de terror e livros/histórias (como a de Jack, o estripador), o que o torna muito acerca da proposta do blog. Ao decorrer do álbum a dupla dinâmica Schaffer-Barlow apresenta composições muito interessantes. A primeira faixa do álbum "Wolf" é baseada no filme "The Wolfman(1941)" que ganhou um remake não faz muito tempo. Mas o legal é que eles pegaram partes dos filmes e encaixaram perfeitamente na letra isso acontece na já citada "Wolf"durante o refrão:
(Chorus) Even a man who's pure And says his prayers by night (He won't hear your prayers) Man become a wolf When the wolf bane blooms, And the autumn moon is bright (There's a full moon tonight) Man may become a wolf.
Outra faixa muito interessante é a "Jekyll & Hyde". Pois no decorrer da música acontece um diálogo (sim, é isso mesmo!) entre os personagens, de forma incrível, dando a música o clima agônico necessário presente na letra. "Dracula" e Frankstein" também são composições muito boas juntamente com a super rápida "Jack". "Im-Ho-Tep" foi outra música que gostei muito, o riff que a guitarra faz é muito bom, dando aquele aspecto "Egito Antigo" à música. A seguir o track list completo e detalhado do "Horror Show" de forma detalhada com o filme ou história que serviram de inspiração para Schaffer e Barlow:
#Track List
1. "Wolf" (inspirada no filme The Wolf Man) Jon Schaffer 5:20 2. "Damien" (inspirada na série de filmes The Omen) Schaffer 9:12 3. "Jack" (inspirada em Jack o Estripador) Matthew Barlow 4:14 4. "Ghost of Freedom" (inspirada no filme O Patriota) Barlow, Schaffer 5:12 5. "Im-Ho-Tep (Pharaoh's Curse)" (inspirada no filme A Múmia) Barlow 4:45 6. "Jekyll & Hyde" (insp. no livro The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) Barlow4:39
7. "Dragon's Child" (inspirada no filme Creature from the Black Lagoon) Barlow 4:21 8. "Transylvania" (Iron Maiden cover) (instrumental) 4:30 9. "Frankenstein" (inspirada no livro Frankenstein) Schaffer 3:50 10. "Dracula" (inspirada no livro Dracula) Schaffer 5:54 11. "The Phantom Opera Ghost" (inspirada na novela O Fantasma da Ópera) Schaffer 8:41
Em suma, esse álbum ainda continua sendo um dos meus preferidos. Até porque conta com a participação do super baixista Steve DiGiorgio pilotando os graves da banda. Apresenta momentos de peso e momentos mais cadenciados como ocorre em "Dracula". Então podem escutar sem medo, recomendo principalmente à quem gosta de filmes de terror e experimentalismo musical. A seguir os vídeos das duas que mais chamaram a minha atenção, "Wolf" ao vivo e "Jekyll & Hyde" somente a música. Até a próxima!