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15 de maio de 2011

Literatura e Música: Coração Envenenado - Minha Vida com os Ramones

Por: Airton Rener

Lançado originalmente na Inglaterra em 1997, Poison Heart - Surviving The Ramones é uma autobiografia escrita por Dee Dee Ramone, o baixista mais notório da historia do punk rock. Com tradução para o português como "Coração Envenenado - Minha Vida com os Ramones" o livro chegou nas livrarias brasileiras somente em 2004, oito anos após o fim de uma das bandas mais influentes da história do rock; os Ramones, que deixaram para variadas gerações uma historia de brigas, drogas e mentiras, hostilizando a imagem midiática de uma banda perfeita, um marketing comum no mundo artístico até os dias de hoje.

Apesar do seu lançamento tardio, o livro se tornou uma herança deixada por Dee Dee para seus fãs que esperaram tanto tempo pela a publicação nacional. Seu livro desde então pode ser considerado de maneira indireta como a biografia da própria banda, como o subtítulo sugere, pois Dee Dee foi o fundador dos Ramones e querendo ou não, sua vida está ligada a ela.

Embora de maneira breve, Douglas Colvin que posteriormente cria seu pseudônimo como "Dee Dee", faz uma rebuscagem a sua velha infância que está inserida no contexto pós Segunda Guerra Mundial. Vindo de uma péssima educação, sua relação familiar não era muito agradável o que ensejou Douglas Colvin a ter experiência com drogas desde cedo, principalmente a heroína, muito comercializado na época. Com essa perspectiva de vida Dee Dee já se considerava um fracassado, seu instinto rebelde lhe causou várias brigas de escola e inúmeras discussões familiar. O vocabulário pejorativo já fazia parte dele desde cedo, caracterizando uma personalidade forte, rebelde, grotesca e violenta. Dee Dee Ramones sem perceber e sem fazer seu tão inesperado sucesso já tinha se tornado um estilo que logo após passou a se denominar como punk. Dee Dee não quis inventar um estilo como a maioria dos músicos fazem, ele já nasceu com o estilo punk dentro de si.

Na biografia Colvin revela seu ódio materno em contraposição a influência musical de sua mãe como ele descre ve; “Minha mãe me apresentou ao rock’n’roll. Ela era problemática – mas usava roupas legais e tinha um Ep do Bill Haley and Comets e aquele disco I’m Going to Kansas City” .

Beatles e Rollings Stones sem dúvidas influenciaram gerações e não podia deixar de acontecer o mesmo com Douglas Colvin, como ele afirma em sua biografia cuja origem do nome "Ramone" veio antes da fama, e que esse termo era o sobrenome do pseudônimo usado por Paul McCartney para se registrar nos famosos hotéis quando ainda fazia parte do The Beatles.

Ainda muito jovem Dee Dee é transferido pra uma casa em Nova York. É lá que conhece Johnny que futuramente iria ser um dos integrantes da banda. Nas tardes vazias em Forest Hill. Perambular pelas ruas e aprontar, eram uma boa maneira deles se divertirem, tornando assim, características típicas de seus comportamentos, é o que ele afirma no trecho:

"Quem entra numa banda como Ramones não vem de um passado estável, porque essa não é uma forma de arte muito civilizada. O punk rock é feito por garotos furiosos querendo ser criativos. Acho que é por isso que os caras dos Ramones eram conhecidos por jogar, de apartamentos, TVs nas pessoas que estavam nas ruas".

Dee Dee sem as drogas era apenas "Dee". Seus alucinógenos perturbaram sua vida desde cedo e as barreiras que impossibilitavam ele sair de seu vicio é claramente comparado a uma prisão em sua biografia. É com esse tema que ele escreve sua primeira música, ainda adolescente, como ele revela em seu livro;

“[...] Nenhuma dessas músicas jamais vai ter interesse, mas era um bom modo de fugir, pelo sonho, da prisão do dia-a-dia. uma das músicas que eu compus nessa época, talvez a primeira, se chamava "I can't do it ":

I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo

I can't change tomorrow - Eu não consigo mudar o amanhã
At the stairs to hell - Na escada para o inferno
I can't change tomorrow - Eu não consigo mudar o amanhã

I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo

I can't hold on to my hand - Eu não consigo segurar minha própria mão. [...]”

Antes mesmo de Ramones se formar, seu estilo musical já estava predestinado como podemos observar. Uma música curta, simples, repetitiva, porém instigante e cheia de significado. São essas características da primeira composição de Dee Dee que marcam o som monótono dos Ramones.

Em 1974 surge um misterioso grupo. Joey, Johnny, Dee Dee e Marky (formação mais conhecida e mais duradoura) formavam os Ramones. Tecnicamente, o grupo não chegava nem perto de Pink Floyd. Dee Dee mal sabia de acordes quando formou a banda, mas a sua energia, seu ritmo, suas letras era definitivamente diferente de qualquer outro grupo. Com divulgação boca a boca, Ramones foi criando fama aos poucos, mas sua fama ganhou maiores proporções no clube estadunidense CBGB, localizado em Manhattan em Nova York. Se Ramones era uma família, com certeza a CBGB seria sua casa.

A mídia demorou pra reconhecer a banda, suas musicas não eram ideais para serem vendidas, o som era pesado pra quem era acostumados a escutar progressive rock da década de 70 como Pink Floyd, John Lennon, Genesis, Yes, Rush, dentre outros. O auge dos Ramones no Brasil veio preste ao encerramento da banda no limiar da década de 90, o que gerou frustração e ao mesmo tempo uma paixão eterna pelo grupo mais revolucionário de todos os tempos.
Como diz André Barcinski em seu prefacio, fazendo uma analogia a música dos Ramones que tem duração media de 2,5 minutos; "Coração Envenenado não é um livro sobre música. não espere tratados filosóficos sobre a invenção do punk, ou reminiscências de algum teórico do movimento. este livro é como a música dos Ramones: curto, poderoso e vai direto ao ponto."

A seguir, o videoclipe legendado da música Poison Heart escrita por Dee Dee Ramones. Essa é uma de poucas músicas a fugir dos convencionais 2,5 minutos clássicos dos Ramones, além de seu ritmo menos underground, assim como a famosa Pet Sematary. Poison Heart é o nome que inspirou o titulo da biografia de Dee Dee, pois nos remete indiretamente sua historia de vida em relação às drogas, afinal, foi elas que os levaram a óbito em 2002.




23 de dezembro de 2010

Revista General Especial - Ramones

Por: Airton Rener

Fim de ano e a equipe Lucas'sville pede desculpa pelo escassez de postagens nesse mês de dezembro. Mas pra quebrar o galho de vocês que são fãs e acessam diariamente o Blog ou que atualizam de hora em hora, trouxe uma coisa muito boa (pelo menos eu acho).

Enfim. Fui numa sebo procurar um livro e acabei achando outra coisa mais interessante; uma edição da revista General de "1900 e carne assada" sobre Ramones. A revista conta com fotos exclusivas, como a foto de Joey Ramones ao lado, e historias inéditas da banda contada por André Barcinski, um dos jornalistas mais próximo da banda e um sortudo por assistir como convidado especial as gravações da banda, ouvir demos nunca transformadas em disco e até mesmo acompanhar Johnny em convenções de filmes de terror.

E o melhor de tudo é que fiz questão de scanear a revista para compartilhar esse conhecimento tão maravilho e tão incrível sobre umas das mais chatas e melhores bandas do mundo (link do download no fim da postagem). Segue a baixo o editorial escrito por Rogério de Campos:

"I Don't Wanna Get Involved With You", "I Don't Wanna Walk Around With You", "I Don't Wanna Go Down To The Basemet", "I Don't Wanna Be Learned, I Don't Wanna Be Tamed". Os títulos das primeiras músicas dos Ramones já definem a banda. Definem por exclusão. Enquanto os Stones chocavam o mundo civilizado dos anos 60 anunciando o que queriam (sexo, sexo, revolução, um tanto de drogas e mais sexo), os Ramones inauguraram o tal movimento punk aunciando o que não queriam. E os Ramones não queriam muita coisa. Não queriam fazer musiquinhas de amor. Nem intermináveis solos de guitarra. Não queriam falar de assuntos que eram moda nas letras do rock anos 70; fadas e duendes interplanetários. Não queriam, para horror dos proguessivos, fazer um disco diferente do outro, "com um som novo, diferente". E não queriam, principalmente, se tranformar em babacas emplumados como os pop star de supergrupos (pode-se falar tudo contra Ramones, menos acusá-los de ser um "supergrupo").

O que eles fizeram foi dizer bem alto; NÃO! E isto serviu como detonador de uma revolução. "Eu não sei o que eu quero, mas sei como conseguí-lo", a famosa frase de Johnny Rotten, já tinha sido dita antes de muitas maneiras, pelos Ramones. Os Sex Pistols, Clash, Jam, Damned e tais têm o grande mérito de serem os primeiros a entender bem a mensagem. Se a fúria inicial foi o que detonou essa revolução, que inspirou a primaira geração punk, foi sua fidelidade aos seus propios principios que transformou os Ramones nos melhores exemplos para as gerações posteriores. Quando ouvimos toques de Ramones em, por exemplo, Raimundos, Little Quail, Muzzarelas, Graforréia Xilarmônica, não são toques daqueles Ramones de 75 ou 76, mas dos Ramones de sempre.

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