13 de abril de 2011

PSICOSE - O melhor amigo de um rapaz é sua mãe...Ou sua faca!


Por: Lucas Sá
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Traumas e surpresas, são palavras que definem dignamente o estilo misterioso e refinado de um dos cineastas mais admirados entre o meio cinematográfico, Alfred Hitchcock. Fato que se confirma plenamente com o seu maior sucesso de público e crítica de 1960, PSICOSE.

Rodado com um orçamento modesto - 800.000 dólares e faturando mais de 40 milhões em bilheteria - para os padrões do cinema norte-americano, Psicose conquistou grande espaço na história do cinema, não só pelo seu sucesso de bilheteria, mas pelo o conjunto da obra em si (roteiro, trilha, atores...). Hitchcock optou em filmar seu filme em preto e branco, pois além de permitir a diminuição de custos da produção fez com que também beneficia-se no tom de "desdobramento diabólico" que filme propõem, se assemelhando assim, com suas sombras e assassinatos nos corredores escuros das ruas, aos filmes NOIR, que é um "estilo" ou "áurea" que surge a partir da extensão da escola expressionista alemã dos anos 20. Outros afirmam que essa escolha do black/white no longa serviu para diminuir o apelo visual do vermelho nas cenas sanguinárias, pois Hitchcock as julgavam muito violentas para época. Outro aspecto tanto de importância técnica quanto de envolvimento emocional foi o uso de lentes de 55mm em câmeras de 35mm. Isso fez com a câmera imprimisse à película um artifício que chegava próximo a visão humana, aumentando o envolvimento emocional subjetivo e sensível do espectador para com a trama em exposição.

Sempre buscando a inovação, Hitchcock nos apresenta algo que nunca tinha sido visto em filmes da época, até então. Matar a protagonista nos primeiros vinte minutos de projeção. Esta cena em questão se torna um marco na forma inventiva do cinema, o seu grau de impacto e interferência, tanto na platéia como na montagem clássica, faz com que se torne uma cena-ícone nessa arte ainda prematura. Homenagens e até mesmo citações são vista de formas variadas em relação ao esfolamento carnal de Marion Crane (Janet Leigh) no banheiro , como na cena do assassinato da personagem Kate Miller (Angie Dickinson) em Dressed to Kill ( Vestida para Matar - 1980) de Brian de Palma, ou até mesmo na refilmagem/homenagem do filme em 1998 por Gus Van Sant, prestigiado diretor de Elefante e Paranoid Park. Com seus cortes rítmicos provocados por uma montagem frenética, Psicose, acaba influenciando não apenas o cinema ou os jovens cineastas, mas também a TV. São 78 cortes em apenas 45 segundos, essa acelerada sequência permitiu a TV se recriar em sua própria linguagem, tendo como melhor exemplo, o experimentalismo dos videoclipes musicais, que por vezes, se tornam esquizofrênicos em sua própria arte, na busca pelo dinamismo da imagem, que consequentemente provoca um estado de adrenalina ilusório no espectador.

Roberto Muggiati, do jornal Gazeta do Povo, afirmou sobre o sucesso da obra em um especial dos 60 anos do filme:

" O sucesso de Psicose deveu muito à estratégia promocional montada pelo próprio diretor. Mandou comprar todas as cópias existentes do livro de Robert Bloch. Seu lema era: O SEGREDO É A ALMA DO NEGÓCIO. (...) Todos os funcionários que participaram das filmagens tiveram que assinar uma promessa de sigilo absoluto. O público devia ignorar tudo sobre a história, particularmente o final. A imposição mais contestada de Hichcock às salas de cinema foi proibir que o público entrasse depois de iniciado o filme. Quando filas imensas se formaram já nos primeiros dias de exibição, os donos
de cinema não discutiram mais. "

Mas o sucesso do filme vai muito além dessas propostas de marketing. Os cenários e temas tão próximos de nós, espectadores, como banheiros e relacionamentos de mãe e filho faz com que nos aproximamos quase que por simbiose dos personagens e situações. Isto sem dúvidas é o fator primordial em Psicose. A identificação do público.

- Achei um jogo interativo muito bom sobre os 60 anos do filme. Se quiserem saber mais ou se entreter com esse "passeio" pelo Bates Hotel é só clicar AQUI e será direcionado para o jogo!

10 de abril de 2011

Música - Metal Opera

Por: Luca Abreu

Era uma vez um jovem vocalista que teve uma sacada brilhante: Por que não fazer uma Opera de Metal? E a partir daí um monte de gente já sabe, surgiu o Avantasia ou Tobias Sammet's Avantasia. Que já está no seu quinto álbum de estúdio e já teve a participação de uns 40 músicos em seus álbuns, EPs e um dvd ao vivo. Não é preciso dizer que a MAIORIA das bandas ou projetos costumam começar com álbuns bons e que deixam sempre o ouvinte querendo mais... Pois é, o Avantasia não foge à regra. O mesmo tem os seus 2 primeiros álbuns e o terceiro(talvez) como, o que eu chamo, essenciais. The Metal Opera I e II são álbuns com ótimas músicas, boas melodias, bons refrões e coros, o enredo é bem intrincado com os vocalistas participantes dando o feeling necessário à cada personagem.

Pois sim, depois desses dois clássicos(ué, porque não???) parece que a coisa desandou e Tobias parece que quis deixar o Avantasia mais mainstream e então a coisa acabou ficando enormemente chata com Sammet querendo ser o Bon Jovi germânico. Eu já não sou um grande admirador do trabalho do Bon Jovi e essa mudança de direcionamento acabou contribuindo para uma retumbante decepção em relação ao Avantasia. Tsc, mas é a vida. Então eu pesquisando achei mais uma Metal Opera e com um detalhe muuuuuito relevante: Uma Metal Opera brasileira!!

Soulspell ou Heleno Vale's Soulspell foi feita por esse baterista que tocava em um Avantasia cover e no Blind Guardian cover, o interessante é que ele financia o projeto do próprio bolso e mantém tudo funcionando. Quando ouvi o primeiro álbum do Soulspell, fiquei impressionado com o nível, mas havia um agravante: As músicas enjoavam muito rápido, soavam sempre mais do mesmo. E havia outra coisa que contribuía ainda mais pra isso, o fato de alguns vocalistas terem o timbre muito semelhante. Isso não ocorre no Avantasia, é perfeitamente distinguível os timbres de Andre Matos e Sammet.

Bom, acho que não foi só eu que senti isso ao ouvir o Legacy of Honour(Soulspell), de qualquer jeito Nando Fernandes é o grande trunfo do Soulspell ao lado de Daísa Munhoz que canta de maneira bem inusitada para um álbum de Metal Opera. Depois de algum tempo, mais precisamente em 2010, o Soulspell apresentou um novo álbum: The Labyrinth of Truths. Este trouxe uma evolução técnica gritante em relação ao primeiro disco, parece que os músicos estavam mais à vontade, os timbres mais pesados e uma dinâmica maior nas músicas estão rendendo uma repercussão muito boa.

Muitos sites e revistas especializadas estão dando nota máxima ao Labyrinth e está tendo alguma repercussão na cena internacional devido à presença de artistas internacionais que participaram das gravações, entre eles: Blaze Bayley, Tim Reaper Owens e Jon Oliva. E realmente o Soulspell merece, pois está fazendo muito bem aquilo que se propôs à fazer. Bom, o que nos resta é esperar um terceiro álbum! Então é isso, aí estão os projetos, se você, meu caro leitor, não conhece, esta é uma boa oportunidade! Enjoy!



*
Discografia AVANTASIA:

Álbuns de estúdio
The Metal Opera (2001)
The Metal Opera Part II (2002)
The Scarecrow (2008)
The Wicked Symphony (2010)
Angel of Babylon (2010)

Álbuns ao vivo:
The Flying Opera (2011)
EP: Avantasia (2000)
Lost In Space Part I (2007)
Lost In Space Part II (2007)Singles: "Avantasia" (2000)

DVDs:
The Flying Opera (2011)

* Discografia SOULSPELL:
Legacy of Honour
Labyrinth of Truths(2010)

Filme - Kick-Ass

Por: Luca Abreu
Depois de uns 2 meses de férias do blog chegou a hora de saldar a minha dívida de posts, que deve estar bem alta por sinal. Pois bem, então vamos ao que interessa! Vi muitos filmes neste período de ócio(do blog) um deles eu sempre tinha ignorado e resolvi assistir. Um monte de gente conhece, mas eu nunca me interessava pelo mesmo. Até que em um belo dia, olhando os filmes de uma loja, acabei tendo o impulso de comprá-lo...e devo dizer que não me arrependo. Kick-Ass é daqueles filmes com boas tomadas e cortes interessantes, propositalmente desleixado. Lembra às vezes o estilo do Tarantino em Kill Bill. Apesar de todas as cenas de luta, sangue, membros decepados, ainda achei tudo muito limpinho. A impressão que tenho é que tentaram camuflar todo o sangue e "violência" com essa, digamos, aura pop - com direito a até obras de Andy Warhol nas paredes - para que pudesse ocorrer uma diminuição na censura. Mas é uma boa adaptação dos quadrinhos, bem melhor do que muitas adaptações que a gente vê por aí.

Chloe Moretz desempenha um papel incrivelmente cativante como Hit Girl, ganhando status de ícone após o lançamento do longa. Na verdade a personagem que mais prende a atenção é justamente a Hit Girl, apesar de Kick-Ass(Aaron Johnson) ser o personagem central. Achei o roteiro do filme bem legal, dá pra prender a atenção. Em suma, o filme tem começo, meio e fim convincentes, atores bons, alguns ainda se desenvolvendo. Nicolas Cage, fazendo Big Dad, me surpreendeu um pouco. Sempre achei as atuações dele mais do que ele mesmo, mas nesse filme ele se limita à fazer apenas o necessário. Na verdade, Cage já é profissional em fazer personagens do naipe do Big Dad, o que já dá um certo ar de naturalidade à ele. Um ponto negativo que eu achei foi que não ficou exatamente igual à HQ, se bem que "exatamente igual" é querer demais de uma adaptação. Tsc, como eu disse tudo gira em torno de intere$$e$ em relação à adaptações. Como exemplo, temos a série The Walking Dead, que teve um episódio piloto incrível(apoteótico, é a palavra) e acabou descambando para um final de temporada TOTALMENTE diferente da HQ, o que, claro, frustrou muitos fãs da série.


Porém, não vou me prender muito à essas conjecturas pessimistas sobre adaptações. O fato é que, precisamos de mais filmes como Kick-Ass!!! Putz, isso sim é um bom filme de ação, com uma pitada de humor negro. Não aguento mais filmes com caras bombados enfrentando meio mundo de bandidos e derrubando helicópteros com táxis ou coisas do gênero. É irônico ter uma garotinha com algumas adagas e armas de fogo acabando com uma dúzia de bandidos rapidamente e mandando ver nos palavrões. Inovador. Não vou mais entregar o filme, deixar pra quem não viu tirar as suas conclusões deste petardo contemporâneo!


8 de abril de 2011

Trailer do novo filme do Lars Von Trier, MELANCHOLIA

Por: Lucas SáO polêmico e insuperável diretor, Lars Von Trier, lançou pelo Vimeo.com - site que vem sendo utilizado cada vez mais por profissionais da área audiovisual para lançamentos de vídeo em alta resolução - o trailer do seu novo filme, Melancholia.

Dentre a única descrição do vídeo no site de divulgação, está a simples e singela frase: "Um lindo filme sobre o fim do mundo". Bom, só não podemos esquecer que estamos falando de LARS VON TRIER, em letra garrafais, ou seja, este "lindo" desta linda frase não é nada mais que um sarcasmo escroto de Trier para com os enojados ou céticos que apedrejaram o seu bizarro/lindo trabalho anterior, Anticristo. Sendo que também pode servir de contraste entre as ações que a frase provoca, Lindo Vs. Fim do Mundo... Enfim, bem típico do diretor essas provocações subliminares.

"Vai parecer uma droga... Não, espero que não.
Mas certamente será um pouco mais FEIO
do que o [meu filme] anterior." - Lars Von Trier

A primeira impressão que persiste durante a exibição do trailer é a de que Trier se apoderou do estilo característico de Anticristo. A estética do digital está presente em grande parte de sua filmografia, como em Dogville e Dançando no Escuro, mas o que diferencia Melancholia e Anticristo dos demais, é que estes são filmados com uma "qualidade" digital superior, fato que o afasta ainda mais, para variar, de seu idolatrado manifesto, Dogma 95. A granulação típica do digital é superado por novas filmadoras de mesma categoria, isto consequentemente fez com que Trier abusasse de forma mais experimental essas câmeras do "fim do mundo", sendo um dos poucos diretores, ao lado de Godard e Peter Greenaway, a assumirem essa tecnologia como predominante na nova forma de "fazer" cinema.

Como disse, a estética se assemelha ao seu filme anterior, mas não só na mídia utilizada na gravação como também na interseção de momentos de maior apelo visual ou sentimental que no trailer são acompanhadas por um artifício que o diretor vem usando com bastante frequência, o "Slow Motion". Sendo que essas cenas somadas a este artifício fazem parte de uma das mais belas sequências filmadas pelo diretor, o prólogo sexual/sentimental de Anticristo.

"O filme é pessoal. Ainda não sei [o que sairá] até que descubramos. Posso dizer sobre o que ele fala, mas não sei ainda por que o estou realizando. É sobre duas irmãs e um planeta. Tenho um plano, e ninguém nunca vai saber que plano é esse" - Lars Von Trier

As duas irmãs serão interpretadas pelas jovens atrizes Kirsten Dunst ( As Virgens Suicidas e Homem-Aranha) e Charlotte Gainsbourg ( Anticristo e 21 Gramas). Com a escolha de Kirsten Dunst como protagonista, papel que antes seria de Penélope Cruz, já consigo imaginar as declarações dela em relação a Lars Von Trier... Provavelmente algo semelhante ao que Nicole Kidman e Bjork falaram após terem sofrido nas mãos do diretor.

Melancholia foi filmado na Suécia no ano passado e terá sua primeira exibição no próximo mês, durante o majestoso Festival de Cannes, na França. Mas Lars Von Trier não vai descansar seus neurônios, pois o diretor já está preparando um novo projeto. The Nymphomaniac (A Ninfomaníaca), que irá acompanhar o nascimento do erotismo em uma mulher. Este, que inicialmente seria intitulado de Dirt in Bedsores (Suja de Escaras).